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IV Domingo da Páscoa, Ano B – Mons. João Clá Dias

“Recorramos à Mãe do Bom Pastor”

Jesus resgatando a ovelha perdida – Convento del Bue Bastor Zarauz – Espana

Maria é a estrela da nova evangelização, lembrava-nos sempre o Papa São João Paulo II. Quem quiser ter sucesso nesse sublime empreendimento de atrair seus próximos para o aprisco de Jesus Cristo, não pode deixar de colocar seus trabalhos e sua própria pessoa sob a proteção e a orientação da Mãe do Bom Pastor.
Nas catacumbas de Santa Priscila, em Roma, pode-se ver, bem conservada, uma pintura que representa Nosso Senhor como o Bom Pastor. Significativamente, leva Ele aos ombros a ovelha perdida e caminha em direção a sua Mãe, em cujas mãos vai entregá-la.
Peçamos ao coração Maternal e Imaculado que nos conduza ao Bom Pastor, e assim possamos cumprir com santidade nossos deveres de apostolado para com nossos irmãos.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Homilia Dominical por Mons. João Clá Dias do 4º Domingo da Páscoa (03/05/2009)

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III Domingo da Páscoa, Ano B – Mons. João Clá Dias

Jesus continua operando por meio de seus ministros.

Discípulos de Emaús – Coro da Catedral de Notre Dame, Paris

Encerra-se este Evangelho com o esclarecimento formal e categórico da parte de Jesus aos Apóstolos, a respeito da missão que lhes outorgava. Aproveita a ocasião para conversar sobre o mais importante tema para eles e, por conseguinte, para a Santa Igreja Nascente. Trata-se de assumirem a mesma missão de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois este permaneceria no mundo por meio deles.
Nada deveria ser olvidado: nem a Paixão com seus méritos, nem a própria vida do Divino Mestre com seus ensinamentos. Concretiza-se, então, uma identidade de missão entre Jesus e os Apóstolos. Aliás, na oração dirigida ao Pai, na Última Ceia, havia já Ele revelado essa aproximação: “Eu lhes transmiti as palavras que Tu Me confiastes e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de Ti, e creram que Tu Me enviastes. […] Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. […] Como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviarei ao mundo” (Jo 17, 8.14.18).
Anteriormente, chegara mesmo a afirmar: “Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou” (Lc 10,16).
Cristo os constituiu sacerdotes da Igreja para a salvação e santificação das almas, fazendo-os herdeiros e participantes de seu sumo e eterno sacerdócio. Esta missão continua ainda nos tempos atuais e deverá perdurar até o fim dos tempos, através do ministério sacerdotal. Tal como Jesus, o presbítero dá “Glória a Deus no mais alto dos Céus e na Terra, paz aos homens, objetos da benevolência divina” (Lc 2,14). É ele alter Christus: “Como o Pai Me enviou assim também eu vos envio a vós” (Jo 20,21). Deste modo, a obra universal de Redenção e de transformação do mundo trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo, com toda sua divina eficácia, Ele continua a operá-la, e continua sempre por meio de seus ministros.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Homilia Dominical por Mons. João Clá Dias do 3º Domingo da Páscoa (16/04/2009)

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II Domingo da Páscoa, Ano B – Mons. João Clá Dias

A fé cresce pela prática do amor.

Interior do Santuário da Misericórdia, Cracóvia (Polônia) 

A fé, virtude passível de aumento e de diminuição, é a porta por onde entram as demais virtudes. Como se dá isto? O conhecer – embora na penumbra – aquilo que é de Deus desperta na alma o amor e a adesão ao magnífico panorama desvendado pela fé. Não obstante, é a caridade que nos faz amar a Deus com uma abertura de alma própria a elevação d’Ele. Assim, a caridade é, de si, superior a fé. Por que? Porque a caridade nos faz voar até Deus e dilata a nossa alma para poder amá-Lo como Ele Se ama, na proporção de criatura e Criador, enquanto a fé traz Deus até nós. Se nos limitarmos a entender, sem amor, a fé perde sua seiva e sua vitalidade, e morre. Então é preciso compreender e, já no mesmo ato, amar.
Ainda na segunda leitura – combatendo os erros gnósticos, que afirmavam ser absurdo o cumprimento dos preceitos da Lei –, São João nos dá outra importante lição: amar a Deus é “observar os seus Mandamentos. E os seus Mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé”. Não nos esqueçamos de que, se guardar os Mandamentos da Lei de Deus por força de nossa natureza é impossível, desde que nos apoiemos na graça vencemos o mundo, o demônio e a carne! E para obter as graças necessárias, é-nos exigido ter uma vida interior intensa: muita oração e frequência aos Sacramentos, sobretudo à Eucaristia.
Deste modo, a Liturgia do 2º Domingo da Páscoa nos proporciona elementos excelentes para praticar as três principais virtudes, aquelas que nos relacionam diretamente com Deus: a fé, a esperança e a caridade. Agradeçamos a Cristo, Senhor nosso, a inestimável bem-aventurança de acreditar sem ver e peçamos a Ele o contínuo crescimento nesta fé.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Homilia Dominical por Mons. João Clá Dias do 2º Domingo da Páscoa (23/04/2006)

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I Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor, Ano B – Mons. João Clá Dias

A Ressurreição: prenúncio da glória reservada aos batizados.

Em muitos países de tradição cristã costuma-se comemorar a Ressurreição com troca de ovos de Páscoa. Belo símbolo porque o ovo contém em si um germe de vida. Ele representa o inestimável benefício trazido pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, pré-figura da nossa.

Caieras, São Paulo, Brasil, Thabor – Basílica Nossa Senhora do Rosário

Nós estávamos mortos, porque carregávamos a herança do pecado original cometido por nossos pais Adão e Eva, mas o Salvador nos obteve uma vida nova, infinitamente mais valiosa do que a humana: a participação na própria vida divina. E este tesouro merece ser tratado com especial carinho, dirigindo nosso amor no rumo certo, segundo o ensinamento da Liturgia do Domingo da Páscoa.
Por isso São Paulo nos recomenda na segunda leitura (Col 3, 1-4) que, uma vez mortos para os vícios e ressuscitados com Cristo, orientemos nossas preocupações para o que vem do alto e não para as coisas concretas que desviam os olhos e o coração de nosso destino eterno, tal como os defuntos não mais se preocupam com seus antigos afazeres ao deixarem esta Terra. Quanta febricitação, fruto do egoísmo e da vaidade! Quanta ilusão com o mundo, os elogios, a repercussão social! Quanta atenção à saúde e ao dinheiro! Cuidados que, até no que têm de legítimo, nos arrastam e nos toldam os horizontes e constituem uma falta contra o primeiro mandamento, tão pouco considerado em nosso exame de consciência.
Entretanto, tenhamos presente que Nosso Senhor Jesus Cristo virá para julgar os vivos e os mortos. Então, a uma voz de comendo d’Ele, num só instante, as almas reencontrarão os corpos, auxiliados pelos Anjos da Guarda que se encarregarão de reunir as cinzas. Enquanto peregrinamos neste vale de lágrimas recordemos que há apenas dois caminhos ao término dos quais nos espera a eternidade feliz no Céu ou a padecente e infeliz, no inferno. Não há uma terceira via.
Eis o futuro que nos aguarda, tão superior a qualquer expectativa que não somos sequer capazes de excogitar como será. “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (I Co 2, 9). Peçamos a Cristo Jesus que nos conceda, em sua infinita misericórdia, a plenitude da vida sobrenatural conquistada por sua Morte e ressurreição.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Homilia Dominical por Mons. João Clá Dias do Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor (12/04/2009)

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Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, Ano B – Mons. João Clá Dias

“A Cruz se transforma em glória na eternidade.”

Entrada de Cristo em Jerusalém – Catedral de Cristo Rei, Hamilton (Canadá) 

Jesus me convoca a segui-Lo! Valendo-se de uma expressiva imagem, São Roberto Belarmino pondera: “Quem vê seu Capitão lutar por seu amor, com tal perseverança em lide tão penosa, recebendo tantas feridas e padecendo tão grandes dores, como não se animará a combater a seu lado, a fazer guerra aos vícios e resistir e resistir até morrer? Cristo batalhou até vencer e alcançar glorioso triunfo sobre seu inimigo […]. E se Cristo pelejou com tão grande perseverança, seu exemplo deve dar sumo alento a todos os seus soldados para não se afastarem da sua cruz, e sim pugnar a seu lado até vencer”. Eu estarei com Ele, quer na entrada triunfal em Jerusalém, aclamando-O como Rei, que na Via Sacra, carregando minha cruz às costas, ou sobro o Gólgota, nela pregado. Será por meio desta cruz que eu obterei a glória da ressurreição, e conviverei com Ele por todo sempre na verdadeira Jerusalém, a Jerusalém Celeste!
Ao transpor as muralhas desta esplendorosa cidade, “tabernáculo de Deus com os homens” (Ap 21,3), teremos um autêntico Domingo de Ramos e entenderemos que a cerimônia da qual hoje se participa é mero símbolo dos “bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (I Cor 2, 9). Entretanto aqueles que persistiram numa concepção mundana e desviada a respeito de Nosso Senhor, negando-se a aceitá-Lo como Ele é, terão o eterno domingo de fogo, enxofre, ódio e revolta!
Peçamos a graça de compreender que é através da cruz que chegamos a luz – “Per crucem ad lucem!” – e não há outro meio de conquistar alegria sem fim. Que a cruz seja companheira inseparável de cada um de nós até o momento de ingressarmos na visão beatífica, e continue junto a nós por toda eternidade, como magnífica auréola de santidade, resplendor de glória.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Homilia Dominical por Mons. João Clá Dias do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (16/03/2008)
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