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A justiça de Deus e a justiça dos homens

As circunstâncias diversas da vida “produzem” certas necessidades e nos sentimos, de repente, limitados e insuficientes para atendê-las. E quando alguma necessidade especialmente nos aflige, seja de ordem material ou de ordem espiritual, procuramos alguém que nos socorra.

Certamente o leitor, numa dessas situações, encontrou algum amigo: um deu-lhe um bom conselho, outro lhe atendeu num negócio delicado, outro, quiçá, ajudou-lhe numa empreitada urgente e importante, que por si só, não teria condições de realizá-la. E pensou: como é bom ter alguém com quem se possa contar, nada melhor do que ter o apoio da pessoa certa e na hora certa, que procede com caridade!

Em sentido contrário, se em tais situações, não há quem nos estenda a mão, pois o egoísmo e o capricho de tantos não quer atrair para si incômodo ou “perda de tempo”, e por isto não se inclina a dar ouvidos às nossas necessidades, vem-nos a reflexão: eis a lei do egoísmo, tão presente em nossos dias!

Esta consideração ocorre-nos a propósito da leitura do Evangelho de São Lucas, neste 29º Domingo do Tempo Comum: Nosso Senhor conta a parábola de uma viúva, desamparada e aflita, necessitada de que o juiz iníquo lhe faça justiça e que, de tanto insistir, consegue mover a indiferença deste, para que seu pedido fosse atendido.

Eis aqui a mulher necessitada e aflita, que perseverantemente insiste e obtém a justiça almejada. Mas situação curiosa desta história, criada pelo Divino Pedagogo: quem a atende em sua necessidade? Não um amigo, mas um juiz “que não temia a Deus nem respeitava os homens” (Lc 18, 2). Este homem só lhe faz justiça, porque quer evitar o desagradável de ser importunado por aquela mulher.

E Nosso Senhor continua a parábola: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, e tardará em socorrê-los? Digo-vos que depressa lhes fará justiça.” (Lc 18, 8a).

Com efeito, assim comenta Mons. João Clá Dias, EP, na obra “O inédito sobre os Evangelhos”:

“O contraste é um ótimo instrumento de didática. Jesus se serve das reações de um julgador iníquo face à obstinada insistência da fragilidade feminina, para compará-las às atitudes do supremo Juiz. Se um homem mau pratica uma boa ação para deixar de ser importunado, quanto mais não fará Deus, a Bondade em essência? Muito diferentemente da parábola, na aplicação trata-se do Verdadeiro Juiz, o qual é a própria Dadivosidade. Por outro lado, quem pede não é uma importuna viúva, mas sim os escolhidos de Deus. Estes não são indesejáveis. Ao contrário, a eles cabem os títulos de “privilegiados”, amigos e “fiéis”(1).

Ora, pela graça de Deus Nosso Senhor, estes escolhidos, privilegiados e amigos seus, somos nós. E ainda que sintamos algumas misérias, que diminuam em nós o amor a Ele, podemos nos incluir como seus eleitos.

É neste sentido que afirma o Fundador dos Arautos: “Com o avanço claro e firme da Teologia, pode-se afirmar serem eleitos todos os fiéis, conforme declara São Pedro: ‘Vós, porém, sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus (I Pd 2,9)’”. (2)

Quanto esta parábola de Nosso Senhor nos deve conduzir à confiança total em Deus, para além daquela que podemos ter nos amigos ou até esperar dos interesseiros egoístas! E não haverá circunstância na vida – por mais que se pareça com um túnel escuro e sem saída – em que a bondade e misericórdia de Deus não venha ao nosso encontro, sobretudo quando pedimos com fé e, a maneira daquela mulher, façamos, piedosa e insistentemente, uma pressão moral a Ele.

Peçamos a Nossa Senhora, maior exemplo desta Confiança em Deus, e que, por meio da piedade, espírito de oração e dedicação plena aos desígnios do Criador, obteve de Seu Divino Filho aqui na terra – e mais ainda agora no Céu – tudo quanto desejava, para glória dEle e para o bem de quem necessitava.

Por Adilson Costa da Costa

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(1) Mons. João S. Clá Dias, EP. O Juiz e a viúva. In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. VI, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, p. 419.
(2) idem.

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Inauguração do Presépio de Som, Luz e Movimento

Som, luzes e movimento dão vida aos presépios dos Arautos do Evangelho, ajudando adultos e crianças a meditarem sobre o verdadeiro sentido do Natal, que é o nascimento do Menino Jesus.

Você e sua família estão convidados a visitar o Presépio montado na Casa dos Arautos de Maringá. A inauguração será no dia 5 de Outubro, após a Missa das 17h. Contamos com a sua presença!

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Santa Laura Montoya: Na vanguarda missionária da Igreja

As páginas da Revista Arautos do Evangelho do mês de outubro de 2013 estampam artigo do Arauto Gustavo Ponce Montesinos intitulado Na vanguarda missionária da Igreja. Apresenta a bela história de Santa Laura Montoya, que nasceu e viveu na Colômbia entre o final do século XVIIII e a primeira metade do século XX. Faleceu em 21 de Outubro de 1949, aos 75 anos; é uma das primeiras santas canonizadas pelo Papa Francisco, em 12/05/2013.

De família muito católica e fervorosa, Santa Laura de Montoya está na “vanguarda missionária da Igreja” justamente porque sua vida – inicialmente como professora, formadora e fundadora de uma Ordem Religiosa é repleta de exemplos que podem e devem ser imitados em nossos dias, por todos os jovens que queiram servir a Deus de forma mais perfeita, seguindo o conselho evangélico: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é Perfeito” (Cf. Mt 5,48).

Desde muito cedo foi a pequena Laurita formada por sua piedosa mãe no amor ao próximo, perdoando e ajudando mesmo aqueles que lhe houvessem causado qualquer mal. Perdeu o pai, vítima da guerra civil ainda muito cedo, quando tinha apenas dois anos de idade. Permitiu a Providência Divina que, em toda a sua formação, o seu coração ficasse “vazio de qualquer afeto terreno, para poder, a seu tempo, tomar posse absoluta dele”. (1) Ainda em sua infância, aos 10 anos, teve a graça de conhecer “duas jovens que marcaram profundamente sua vida: ‘Úrsula, a virgem contemplativa, e Dolores, a virgem apóstolo, foram, sem saber, minhas mestras, meus espelhos, os pedagogos de minha vocação” (2).

Professora sedenta de almas

De fato, iniciou sua missão aos 19 anos, quando obteve, em 1893, o diploma de professora de primeiro e segundo grau, ocasião em que pode dar os primeiros lances do que seria o seu fecundo apostolado: “Empenhei-me em fazer de minhas alunas umas amantes loucas de Deus” (3).

Santa Laura Montoya

“Em pouco tempo, suas palavras e exemplos começaram a produzir frutos de conversão e de afervoramento” entre as jovens da sociedade local, que “passaram a comungar com frequência e a defender sua fé com denodo perante parentes ímpios”. (4) Contrariado pelo êxito que a jovem professora obteve, não tardou o demônio em procurar vingar-se. De fato, uma das alunas de Laura, Eva Castro, desistiu do casamento, manifestando aos pais o desejo de seguir a vocação religiosa. Insuflados pelo espírito maligno, os pais da jovem culparam a pobre professora por essa mudança, desencadeando sobre ela uma brutal perseguição, através de calúnias e difamações. Laura foi abandonada por todos, até pelo seu confessor. Finalmente a Providência interveio e a situação pode ser esclarecida. Não foi esta a única perseguição que sofreu, mas, ela sempre conservou inabalável a sua Fé.

O segundo Colégio que abriu obteve um bom sucesso inicial, mas foi também fechado precocemente (decorridos apenas dois anos de funcionamento); desta vez, não pela ação de inimigos da Igreja, mas por um Bispo mal informado. Através dessas cruzes, a Providência ia preparando a alma de Laura para “uma grande vocação: a de ser missionária entre os índios, e mãe de numerosas missionárias”. (5)

Trezentos ou quatrocentos mil filhos perdidos

O zelo apostólico da jovem professora experimentava enorme dor ao “considerar que milhares de indígenas colombianos não tinham contato algum com a Igreja” (6), como se tivesse centenas de milhares de filhos perdidos. O desejo de catequizá-los, mostrar-lhes a Verdadeira Fé e torná-los Filhos de Deus a inflamava constantemente, porém, teve que enfrentar inúmeros obstáculos antes de realizar seu projeto missionário. Afinal, depois de muitas lutas, conseguiu lançar-se à obra, graças a ajuda de Dom Maximiliano Crespo, Bispo de Santa Fé de Antioquia, o qual a apoiou, concedendo-lhe os recursos necessários para que partisse em missão.

Assim, “na formosa manhã de 5 de maio de 1914, partiram as cinco missionárias, entre as quais a mãe de Laura, Dolores Upegui, já com 72 anos, mas não menos entusiasmada nem com menor decisão do que as jovens”. (7)Em seus nobres intentos, enfrentou inúmeras dificuldades, mas, buscou estabelecer uma regra que levasse todas à perfeição. A Providência favoreceu sua serva fiel e assim a atuação de Madre Laura foi marcada, inclusive, por inúmeras curas prodigiosas, as quais fizeram com que os habitantes – a princípio hostis, fossem, aos poucos, deixando-se influenciar pela bondade da Santa. A confiante devoção a Nossa Senhora foi fator decisivo para que Laura obtivesse sucesso, como ela mesma explica: “Minha devoção à Santíssima Virgem era como o remo que movia minha barquinha. […] Maria é o sorriso de minha vida”.

“Os últimos nove anos de sua existência Santa Laura passou-os numa cadeira de rodas, no meio de duras provações. Enquanto isso, a Providência abençoava a expansão de sua obra”. (8) As Missionárias de Maria Imaculada e Santa Catarina de Sena estão hoje presentes em 19 países.

Peçamos a Santa Laura Montoya que nos obtenha o mesmo ardor missionário que ela tanto teve, para buscarmos, não apenas a nossa própria conversão, mas também de nossos irmãos, mesmo batizados, mas que se afastam deliberadamente, cada dia mais, da Igreja de Cristo.

Por João Celso


(1) Gustavo Ponce Montesinos. Na vanguarda missionária da Igreja. Revista Arautos do Evangelho. n. 142, p. 34, Outubro de 2013.
(2) Idem, ibidem.
(3) Idem, p. 35
(4) Idem, p. 35
(5) Idem, p. 35
(6) Idem, ibidem
(7) Idem, p. 36
(8) Idem, p. 37

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Frase da Semana – Santa Teresa de Jesus

“Todo meu desejo era – e ainda é – que uma vez que o Senhor tem tantos inimigos e tão poucos amigos, estes [os amigos] ao menos lhe fossem devotados. Eu me determinei, então, a fazer o pouco que dependia de mim, isto é, seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível (…)”

Santa Teresa de Jesus, Reformadora do Carmelo e Doutora da Igreja1

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Santa Teresa de Jesus – Igreja de Santa Maria – Canadá

Neste dia 15 de Outubro, a Liturgia celebra a Festa de Santa Teresa de Jesus, ou Santa Teresa d’Ávila. Esta grande santa foi a reformadora do Carmelo e Mestra da vida contemplativa. A Frase da Semana reflete o desejo da santa de que – sobretudo aqueles que se dizem “amigos de Deus”, o sejam por inteiro, completamente. Quem de nós não quer ter um amigo, ou uma amiga “devotado”, ou seja, constante, fiel, leal? Um amigo que podemos confiar e contar nas horas de necessidade? Pois bem, esse Amigo por Excelência é Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, ele quer de nós, como lembra Santa Teresa que a Ele também sejamos devotados. Que sigamos os “conselhos evangélicos”, ou seja, a busca da perfeição.

Santa Teresa foi devotada a Nosso Senhor Jesus Cristo, à Igreja, e a eles serviu de maneira esplendorosa, guiando sua própria vida e a vida de suas filhas espirituais no encantamento pela oração e vida contemplativa. Ao fundar– há mais de 450 anos – o Convento de São José, em Ávila, na Espanha Santa Teresa renovou a fidelidade pela vida monástica, na vocação carmelitana.

Peçamos a Santa Teresa que seja também a nossa Mestra de vida espiritual. Que possamos, dentro de nossas possibilidades e sem descuidar de nossos deveres de estado – imitar o seu espírito de oração e de contemplação.

Conheça mais sobre Santa Teresa visitando o site dos Arautos do Evangelho.


1Frei Gabriel De S. Maria Madalena, OCD. Santa Teresa de Jesus. Mestra de vida espiritual. Tradução Convento de Santa Teresa (São Paulo). São Paulo: Paulinas, 1986. Pág. 28 

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Nossa Senhora Aparecida: Mãe de Deus e nossa

Com quanta alegria celebramos neste dia 12 de outubro a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. E tal júbilo não pode deixar de especialmente nestes dias ser expresso por aquele cântico tão conhecido de nós brasileiros, que com fervor entoamos:

Viva Mãe de Deus e nossa,

Sem pecado concebida!

Salve, ó Virgem Imaculada,

Ó  Senhora Aparecida!

Estas palavras tocam-nos fundo em nossos corações.

Que Maravilha podermos chamar Aquela que é Mãe de Deus, nossa Mãe também! E esta Mãe de Deus e nossa, com toda propriedade é exaltada pela Igreja de forma muito expressiva nestes dias de outubro, pois é Ela que nos faz sentir e perceber – aplicando a expressão do Diretório Litúrgico para este mês – como ninguém, “a proximidade amorosa de Deus” (1). Sim, não é outro senão este o papel d’Aquela que é a melhor de todas as mães.

Com efeito, esta intercessão da Mãe de Deus e nossa é apontada com fervor pelo Papa João Paulo II, em sua homilia, por ocasião da Dedicação da Basílica Nacional de Aparecida:

“Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!” […] Sim, amados irmãos e filhos, Maria, a Mãe de Deus, é modelo para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor, com uma participação íntima e toda especial na história da salvação. Pelos méritos de seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça”. (2)

Por tudo quanto Nossa Senhora é no plano da salvação, pela graça de Seu Divino Filho, com confiança a Ela recorremos na certeza de sermos atendidos. Por isto, nos adverte o Papa João Paulo II: “A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galileia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dele as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a ´Mãe de Deus e Nossa`.” (3)

Esta escola de Maria, este seguimento de seus exemplos e a devoção a Ela, nesta época tão conturbada – e quem disto tiver alguma dúvida, que se detenha apenas uns cinco minutos a considerar as notícias de mais diversas fontes deste mundo globalizado, ou quiçá, observe ao seu redor – nos chama à integridade e à coerência do amor de Deus e do próximo. Como bem diz nosso Fundador dos Arautos, Mons. João Clá Dias: “Ora, a devoção a Maria Santíssima no que de melhor pode consistir, do que em lhe pedirmos não só amor a Deus e o ódio ao demônio, mas aquela santa inteireza no amor ao bem e no ódio ao mal, em uma palavra aquela santa intransigência, que tanto refulge em sua Imaculada Conceição?” (4)

Que Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Deus e nossa, rogue pelo Brasil e por todos nós!

Por Adilson Costa da Costa

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(1) CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, 2013. Brasília: Edições CNBB, 2012, p. 165.
(2) Homilia na Dedicação da Basílica Nacional de Aparecida, do papa João Paulo II. In Liturgia das Horas. Tempo Comum: 18ª – 34ª Semana. v. IV, Editora Vozes – Paulinas – Paulus – Editora Ave Maria, 1999, p. 1369.
(3) Homilia. Idem, p.. 1371.
(4) Monsenhor João Clá Dias. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado.  2ª edição. São Paulo: Ipsis gráfica e editora, 2010, Vol. I, p. 441. Disponível para venda pela internet, através da Livraria Católica: www.lumencatolica.com
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