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Frase da Semana – São Camilo de Lellis

“Ainda que não se encontrassem pobres no mundo, os homens deveriam andar a procurá-los e desenterrá-los, para lhes fazerem o bem e praticar a misericórdia para com eles” ¹

São Camilo de Lellis

A frase da semana nos impressiona, entre outros aspectos, pelo desejo ardente, apaixonado, de seu autor em praticar a misericórdia para com os necessitados. Quem é seu autor? Como explicar esta “sede de misericórdia” em um homem?

São Camilo de Lellis

São Camilo de Lellis

Seu autor é São Camilo de Lellis (1550-1614, Itália), militar que, depois de uma vida dissoluta, converteu-se e consagrou-se aos cuidados dos doentes e pobres. Ordenado Sacerdote, fundou uma Congregação, para construir hospitais e atender aos enfermos, hoje mundialmente conhecida como Ordem dos Camilianos, atuante em 35 países.

Durante o processo de sua conversão, após uma vida errante, onde perdera seus bens e ficara reduzido a pedir esmolas junto à Catedral, sofrendo ao mesmo tempo de uma misteriosa chaga na perna que não se separava dele, tocado por uma graça fulgurante, tornou-se noviço capuchinho.

“Seus irmãos de hábito o chamavam de ‘frei humilde’, por seu empenho em disputar o último lugar, ser o servo de todos e ocupar-se dos serviços mais penosos e repugnantes. No entanto, a chaga de sua perna se agrava com o roçar do rústico tecido do hábito, e viu-se ele forçado a regressar ao hospital[…].” ²

Decidido a dedicar-se por inteiro ao serviço dos doentes e exercitar-se na caridade para com os pobres, o fez de maneira tão heróica e com capacidade, que foi nomeado pelos administradores do Hospital São Tiago onde fora internado, como Mestre da Casa.

Eis que “um prodígio veio confirmar o acerto desta escolha. São Camilo passara longas horas animando um pobre homem, a quem seria amputada uma perna no dia seguinte. Quando o deixou, ele estava tão bem disposto que adormeceu tranqüilo. Na hora marcada para a amputação, os cirurgiões constataram que a perna inexplicavelmente ‘estava curada de forma inesperada’”. ³

De onde veio seu amor apaixonado pelos pobres e doentes? Do Divino Salvador, Jesus Cristo, a Bondade em essência

Eis a fonte de bondade e misericórdia de São Camilo de Lellis, como de tantos outros Santos fundadores e dedicados discípulos do Divino Salvador.

view-2Com efeito, conforme nos descreve Mons. João S. Clá Dias, “é patente, pelas narrativas históricas, que antes de Nosso Senhor Jesus Cristo Se encarnar, na ‘plenitude dos tempos’ (Gal 4, 4), a humanidade não tinha ainda noção da verdadeira bondade e se encontrava num ápice de degradação. Os homens se tratavam com uma ferocidade superior à das próprias feras, e o relacionamento era constituído por uma catarata de desprezos, de ultrajes e de violências, que causa espanto. Os servos, considerados ‘coisa’, eram submetidos a tanta brutalidade por seus donos, que estes chegavam a mandá-los experimentar certos venenos para comprovarem seus efeitos mortais. E não só os escravos, mas até os filhos eram objeto de um trato desumano. No Império Romano, se uma criança nascesse defeituosa, o pai possuía o direito de abandoná-la no meio da floresta para que os animais selvagens a devorassem. Mesmo a mulher, em todas as civilizações antigas, era cruelmente relegada”. 4

E observa o Fundador dos Arautos: “Em contraste com tal horror, nasce Jesus – a Bondade em essência – e maravilhas começam a se produzir, a ponto de surgir, a partir d’Ele, uma nova humanidade. Realiza-se, por fim, o que pede o Salmo [do] 15° Domingo do Tempo Comum: “Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!”. 5 [grifos nossos]

São estas maravilhas de bondade, de amor sincero e desinteressado dedicado aos pobres e doentes, nascidos no seio da Santa Igreja, frutos do Sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta realidade “do amor ao próximo” levado a cabo pelos homens e instituições católicas fundamentou o famoso escritor Thomas E. Woods – bacharelado pela Universidade de Harvard e o doutorado pela Universidade de Columbia – a afirmar:

view-3“Exigiria volumes sem conta elaborar uma lista completa das obras de caridade católicas promovidas ao longo da história por pessoas, paróquias, dioceses, mosteiros, missionários, frades, freiras e organizações leigas. Basta dizer que a caridade católica não tem paralelo com nenhuma outra, em quantidade e variedade de boas obras, nem no alívio prestado ao sofrimento e miséria humanos. Podemos ir mais longe e dizer que foi a Igreja Católica que inventou a caridade tal como a conhecemos no Ocidente”. 6

Aqui estão, caro leitor, explicitados a razão e a extensão do bem e da prática da misericórdia de São Camilo de Lellis e de tantos outros homens e mulheres de Deus, bem como de instituições nascidas no seio da Igreja ou por influência dela para com os pobres e doentes.

Que o Divino Redentor nos dê a graça, pelos rogos de Nossa Senhora Auxiliadora, de realizarmos aquelas obras de misericórdia corporais e espirituais, para auxílio dos mais necessitados. Certamente não teremos que “procurar muito os pobres nem desenterrá-los para poder lhes fazer o bem e praticar com eles a misericórdia”, pois os há em quantidade, neste nosso mundo neo-pagão, onde o egoísmo impera com desrespeito ao ser humano, quer no sentido material – sem dúvida – quer, sobretudo, no sentido moral e espiritual.

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1 Ofício Divino – Tempo Comum – Dia 14/07 – XV Semana – São Camilo de Lellis, Presbítero

2 http://www.arautos.org/especial/60844/Sao-Camilo-de-Lellis–O-valente-soldado-que-se-rendeu-a-Deus.html – Acesso em 16 jul. 15

3 http://www.arautos.org/especial/60844/Sao-Camilo-de-Lellis–O-valente-soldado-que-se-rendeu-a-Deus.html – Acesso em 16 jul. 15

4 Mons. João S. Clá Dias. Os Doze Apóstolos – Apóstolos de todos os tempos. In Revista Arautos do Evangelho, N. 163, julho de 2015, p. 9.

5 Mons. João S. Clá Dias. Idem, p. 9-10

6 Thomas E. Woods Jr. Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. Tradução de Élcio Carillo. São Paulo: Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais, 2013, p. 160.

Vale à pena ler a impressionante vida deste São Camilo de Lellis em:

http://www.arautos.org/especial/60844/Sao-Camilo-de-Lellis–O-valente-soldado-que-se-rendeu-a-Deus.html

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O “milagre” de uma vida santa em nossos dias

Não é difícil a qualquer pessoa com o mínimo de discernimento, quer acompanhando as notícias veiculadas na mídia, quer observando a realidade da vida, dar-se conta do quanto as mais diversas instituições passam por um processo de desagregação moral, em certo sentido, sem precedentes na História: crise da família, da economia, da política, da educação…

Tais crises, em última análise, procedem do afastamento vivenciado pelo homem do sentido mais alto da petição que rezamos cotidianamente no Pai Nosso: “seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu”.

Ora, foi justamente para realização desta vontade do Pai na terra, que Nosso Senhor Jesus Cristo habitou entre nós e constituiu a sua Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Foi com vistas a esta missão salvadora que “Jesus chamou os Doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes o poder sobre os espíritos impuros” (Mc 6, 7). “Então os Doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo (Mc 6, 12).

Foi justamente através da cura dos enfermos e da expulsão dos demônios, que os Apóstolos confirmavam sua pregação de uma “doutrina nova dotada de potência”. No que consistia a pregação?

Era o convite para “penitência interior, uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça”.¹

A partir desta “reorientação radical” para Deus, é que será possível a reforma do homem, das instituições e da sociedade que se faz cogente, mais do que nunca, em nossos dias. Em outros termos, nós católicos somos chamados à nova Evangelização, temos à missão evangélica de promover a “sacralização do mundo”, de que fala o documento do Concílio Vaticano II, Lumen Gentium (34).

No entanto, para que tal convite à conversão e sacralização do mundo se efetive, é necessário, como o foi na época dos Apóstolos: que todos os que se dedicam à evangelização e fazem apostolado tenham sua pregação confirmada por milagres. Sim, é preciso milagres!

O “milagre” capaz de assombrar o mundo afastado de Deus

E nós, pela graça de Deus, seremos capazes de fazer milagres?

A esta questão, Mons. João S. Clá Dias nos dá uma fundamentada e elucidativa resposta:

“E hoje? Que milagres precisa operar quem se dedica ao apostolado, para mover as almas à conversão? Em nossa época tão secularizada, talvez os milagres não produzam o efeito que tiveram nos tempos apostólicos. Por isso, o “milagre” que os autênticos evangelizadores devem fazer é o de anunciar a Jesus Cristo mediante o testemunho de uma vida santa: portanto, praticando a virtude, aspirando à santidade e desprezando as solicitações e os ilusórios encantos do mundo. Este, sim, é o “milagre” capaz de assombrar o nosso mundo secularizado, pois a prática estável dos Dez Mandamentos não é possível só com as forças naturais da vontade humana, como nos ensina o Magistério Eclesiástico.² [grifos nossos]

E continua o Fundador dos Arautos, apoiando-se na Lumen Gentium (35): “Este é o portentoso ‘milagre’ que poderá abalar a incredulidade ou o indiferentismo de nossos coetâneos, como tantas vezes nos recordaram os últimos Papas, e já ensinava o Concílio Vaticano II, referindo-se ao apostolado laical: ‘Os leigos tornam-se valorosos arautos da Fé naquelas realidades que esperamos (cf Hb 11, 1), se juntarem sem hesitação, a uma vida de fé, a profissão da mesma Fé. Este modo de evangelizar, proclamando a mensagem de Cristo com o testemunho da vida e com a palavra, adquire um certo caráter específico e uma particular eficácia por se realizar nas condições ordinárias da vida no mundo”.³

Aqui está a melhor pregação e o melhor “milagre” de uma Nova Evangelização, neste mundo tão marcado pelo caos e afastado da vontade do Deus Nosso Senhor Jesus Cristo: “a pregação de uma vida irrepreensível e santa”. Que o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, em sua insondável misericórdia, nos a obtenha.

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¹ Catecismo da Igreja Católica. Tópico n. 1431: A Penitência Interior. 11ª ed. São Paulo: Loyola, 2001, p. 394.

² Mons. João S. Clá Dias, EP. XV Domingo do Tempo Comum – Os Doze são enviados em missão. In: _____. O inédito sobre os Evangelhos – Comentários aos Evangelhos dominicais. Vol. IV – Ano B – Domingos do Tempo Comum, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2014, p. 237.

³ Mons. João S. Clá Dias, EP, idem, p. 237.

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A gratidão traz benefícios para a saúde

A gratidão é a mais frágil das virtudes. Entretanto, ela traz suas compensações. Em artigo no jornal francês Le Figaro do dia 14 de maio, o médico e jornalista Damien Mascret explica que um estudo feito com pessoas que sofrem insuficiência cardíaca demonstra que a gratidão faz bem para o coração.

O artigo descreve como o professor Paul Mills e outros especialistas da Universidade da Califórnia, em San Diego, examinaram 186 doentes de insuficiência cardíaca em estágio primário, com 66,5 anos de idade em média, estudando a relação do sono, cansaço, indicativos biológicos, bem-estar espiritual, etc., com a gratidão. Além do acompanhamento através de exames médicos, os pacientes respondiam questionários com perguntas como “sou grato a muitas pessoas”, ou, “tenho muitas razões para ser grato na vida”.

O estudo mostra que nos mais gratos eram mais eficientes os tratamentos médicos. Rébecca Shankland, mestra de conferências da Universidade de Grenoble-Chambéry e autora do livro A psicologia positiva explicou: “A gratidão reduz a tendência ao materialismo e à comparação social e aumenta a empatia, o que gera relações de melhor qualidade”. Conclusão semelhante obteve outro estudo ao analisar o comportamento psicológico de policiais depois do furacão Katrina, em 2005, na Louisiana. A gratidão foi um dos parâmetros que atenuaram os sintomas de stress pós-traumático neles.

(Extraído da Revista Arautos do Evangelho, n. 163, Julho/2015)

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Houve entre eles um profeta. E entre nós?

A figura do Profeta, no Antigo Testamento, nos evoca um varão de Deus chamando os homens a se voltarem para o Criador, a buscá-lo com mais amor e perfeição e assim alcançarem a salvação e felicidade eterna. Guia com o mandato divino de indicar os caminhos da verdade para toda a sociedade. A atitude própria que todos deveriam tomar face a ele – embora nem sempre os israelitas a tivessem – era a admiração.Profeta

Após o maravilhável e trágico desfile dos inúmeros profetas na história no povo eleito, eis que adentramos no Novo Testamento e contemplamos, extasiados, a Nosso Senhor Jesus Cristo, o Profeta por excelência. Vem Ele anunciar a Boa Nova e indicar “o Caminho, a Verdade e a Vida”, ou seja, a Ele próprio. Na mesma linha, e num grau sem medidas, deveriam seus contemporâneos ter a única postura digna em relação a tal Varão: a adoração.

E em nossos dias, caro leitor, onde encontraremos quem seja para nós porta-voz da vontade divina, como eram os profetas antes do nascimento do Messias, ou Ele próprio durante sua vinda à terra? Em quem nos apoiarmos na busca de Deus, a quem admirar e seguir?

Uma luz se desprende do Evangelho de São Mateus, no 14° Domingo do Tempo Comum. Neste, o evangelista narra-nos a pregação de Jesus em Nazaré, onde vivera cerca de trinta anos, e a rejeição dos seus conterrâneos, levando o Messias a dizer: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” (Mt 6, 4).

Comentando este Evangelho de São Mateus, Mons. João S. Clá Dias:

“Ensina-nos a doutrina católica que, pelo Batismo, todos participamos ‘do sacerdócio de Cristo, de sua missão profética e régia’. Desta forma, enquanto batizados, somos profetas perante a sociedade, pois devemos, pelo exemplo de vida, testemunhar a verdadeira Fé, indicando o caminho para a salvação eterna e, se preciso, alertando contra os erros”.¹

E acrescenta o Fundador dos Arautos: “Se isto se aplica a todo o fiel, a fortiori o sacerdote, que fala do púlpito lembrando as verdades eternas, exerce a missão profética”.²

Por este admirável sacramento, recebemos a presença da Santíssima Trindade em nós, tornando-nos templos do Espírito Santo, que é a Voz dos Profetas, como nos diz a oração do Credo (Creio), na sua versão niceno-constantinopolitana: “Creio no Espírito Santo, […] Ele que falou pelos profetas”. Na verdade, é este mesmo Espírito Paráclito quem guia, ensina e governa a Igreja através do profetismo e de seus fiéis ministros.

Esta afirmação poderia nos causar surpresa: “somos profetas”. No entanto, temos realmente uma “missão profética”. É o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “O Batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo. […] ‘Fomos todos batizados num só Espírito para sermos um só corpo’ (1Cor 12,13).

Os batizados tornaram-se ‘pedras vivas’ para a ‘construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo’ (1Pd 2, 5). Pelo Batismo, […] sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para uma luz maravilhosa’ (1Pd 2, 9). O Batismo faz participar do sacerdócio comum dos fiéis”.³

E, como conseqüência desta participação no sacerdócio de Cristo, temos uma responsabilidade: “Tornados filhos de Deus pela regeneração [bastimal], (os batizados) são obrigados a professar diante dos homens a fé que pela Igreja receberam de Deus’, e a participar da atividade apostólica e missionária do povo de Deus”.4

Como se dá esta participação? “O selo batismal capacita e compromete os cristãos a servirem a Deus em uma participação viva na sagrada liturgia da Igreja e a exercerem seu sacerdócio batismal pelo testemunho de uma vida santa e de uma caridade eficaz”.5 [grifos nossos]

É justamente aqui, caro leitor, que encontramos resposta para nossa indagação inicial. Quem será para nós um auxiliar e um apoio no cumprir a vontade de Deus – como o foram os profetas para os hebreus antes de Nosso Senhor?

Todos os batizados têm esta missão; e a exercerão cada qual conforme os desígnios de Deus, a sua correspondência ao chamado de ser católico e na medida em que viva a fé com obras de santidade.

Mas para que este testemunho de vida católica se efetive, é preciso de nossa parte algo que faltou aos nazarenos e os fez rejeitarem o divino Salvador: admiração. Assim:

“Se não formos cuidadosos em combater a tendência ao egoísmo e à mediocridade [opostos à admiração], teremos dificuldade em admitir e admirar os valores alheios. Por isso devemos nos exercitar na virtude do desprendimento de nós mesmos. E o melhor meio para tal consiste em sempre reconhecer os pontos pelos quais o próximo é superior a nós, desejando admirá-lo e estimulá-lo. A admiração deve ser para nós um hábito permanente. E se notarmos em nós alguma superioridade real, devemos sem jamais nos vangloriar, utilizá-la para ajudar os demais. É o convite sempre atual à virtude da humildade”.6NSraApocalipse

É por esta via da admiração e do amor recíproco, brilhando pela influência do bom exemplo, que seremos profetas na sociedade, indicando o Caminho para a união perfeita com Deus Nosso Senhor e a felicidade eterna. Entretanto, se diante de tão alta meta nos sentirmos fracos e incapazes, não desanimemos! Que estejamos agarrados com confiança nas asas daquela Mãe que é o Auxílio dos Cristãos e, a justo título, a Rainha dos Profetas que, “Como a águia, esvoaçando sobre o ninho, * / incita os seus filhotes a voar” (Deut 32,11). 7

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¹ Mons. João S. Clá Dias, EP. Admirar, essa alegria! In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. IV – Ano B – Domingos do Tempo Comum, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2014, p. 208.

² Mons. João S. Clá Dias, EP. Idem, p. 208-209.

³ Catecismo da Igreja Católica. Incorporados à Igreja, Corpo de Cristo. Tópicos n. 1267 e 1268. 11ª. edição. São Paulo: Loyola, 2001, p. 352.

4 Catecismo da Igreja Católica, Tópico 1270, p. 352.

5 Catecismo da Igreja Católica, Tópico 1273, p. 353

6 Mons. João S. Clá Dias, EP. Admirar, essa alegria! Idem, p. 219.

7 http://www.liturgiadashoras.org/quaresma/2sabadoquaresma_laudes.htm

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São Tomás de Aquino e o Mestre por excelência dos Doutores da Igreja

Há personagens na História que nos surpreendem pelo fulgor de sua inteligência. E ao analisarmos suas existências, verificamos como, em muitos deles, para além de aplicação intelectual, houve grandes mestres que os formaram.

Entre estes personagens, encontraremos muito especialmente um, não menos santo, que brilhou por sua sabedoria: São Tomás de Aquino.

São Tomás

São Tomás

São Tomás de Aquino, nascido de uma das mais nobres famílias de toda a Itália, família Aquino, já aos seis anos, sob os cuidados de seu tio, Abade do Monte Cassino, surpreendia os religiosos beneditinos com a pergunta: Quem é Deus? Ali permanece oito anos. Aos quinze anos faz seus estudos na Universidade de Nápoles até aos dezenove anos de idade.

Aos vinte anos sua vocação se consolidou: movido pela graça, decidiu entrar na Ordem Dominicana, apesar da oposição da família: “nem os gritos do pai, nem os afagos das irmãs, nem as violências dos irmãos, pouco lisonjeados com a ideia de verem um Aquino mendicante. Enquanto a família o mantinha preso no segredo de um dos seus castelos, resolveram enviar-lhe a mais atraente das tentadoras, mas a ‘mensageira de Satanás’ passou vergonha e escapou por pouco do tição que Tomás brandiu contra ela.

Queria ser dominicano e dominicano seria: nem abade do Monte Cassino, nem arcebispo de Nápoles! Ninguém seria capaz de vencer a sua santa obstinação”¹.

Inequivocamente, de uma extraordinária sabedoria, bastará verificar “uma sintética amostra dos Pontífices que ratificaram com sua autoridade a doutrina deste santo dominicano […]:

João XII, que o canonizara no ano de 1323, o recomenda mais que os outros mestres; São Pio V afirma que a Igreja fez sua a doutrina teológica do santo e lhe concede o título de ‘Doctor Angelicus’; Clemente VIII assevera estarem seus ensinamentos limpos de qualquer erro; Leão XIII, autor da encíclica Aeterni Patris, assinala a idoneidade de sua ciência, a qual deve ser preferida à ensinada por outros doutores, em caso de desacordo; São Pio X indica sua obra como regra certíssima da doutrina cristã; Pio XI, em sua encíclica Studiorum Ducem, recomenda: ‘Ide a Tomás’. Mais adiante, Paulo VI – que o chamara de ‘Doctor Communis Ecclesiae’ […]”. ²

Quantos depoimentos há, por parte daqueles que tiveram contato com o santo. “Aqueles que o conheceram pessoalmente foram mais explícitos. Sua inteligência era rápida, profunda, equilibrada; prodigiosa sua memória; incansável sua curiosidade e sua laboriosidade não conhecia descanso. Compreendia com facilidade tudo quanto lia ou ouvia, e o retinha fielmente em sua memória como no melhor fichário” ³.

Mas, caro leitor, de onde vem tanta sabedoria?

Não alongando por demais este artigo, obtenhamos a resposta do próprio Doutor Angélico. “Ele mesmo confidenciou a Frei Reginaldo, seu confessor, ter aprendido mais através de suas meditações, na igreja, diante do Santíssimo Sacramento, ou em sua cela [quarto do religioso] aos pés do Crucifixo, que em todos os livros por ele consultados”4.

Aqui temos a fonte da sabedoria de Santo Tomás, ele próprio indica Aquele que foi seu Mestre por excelência. Vale dizer: e não apenas dele, mas o Mestre de todos os Doutores da Santa Igreja, Católica, Apostólica, Romana: Nosso Senhor Jesus Cristo.

O grande e insuperável Mestre de São Tomás: o Santíssimo Sacramento

Conforme nos explicita Mons. João S. Clá Dias: “Seu grande e insuperável Mestre foi o Santíssimo Sacramento, diante do qual passava rezando horas inteiras, dia e noite. Freqüentemente, no momento auge da celebração da Santa Missa, ou seja, na hora da Consagração do pão e do vinho, não só o milagre da transubstanciação se realizava em suas mãos, como também, sua face se transfigura. […] Guilherme de Tocco, o seu primeiro e principal biografo, insiste em dizer que Tomás adquirira o hábito de rezar demoradamente quando tinha de vencer um obstáculo, de intervir num debate importante, de ensinar qualquer matéria mais árdua” 5.

Sim, poderia alguém aprender melhor do que convivendo com Aquele que é a fonte da Sabedoria, Jesus Eucarístico e se embebendo dos ensinamentos d’Aquele que é o Mestre da Verdade? Por isto, afirma o Fundador dos Arautos:

“[…] que Mestre houve na História à altura do único e verdadeiro Mestre? Se Nosso Senhor é a Verdade, o Bem e a Beleza absolutos, por que não deveria ser também a Didática em essência? Não podemos nos esquecer de que Ele é Deus, enquanto Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e, portanto, sua didática só pode ser também substancial”.6

Aqui temos o Mestre destes Santos Doutores da Igreja: Jesus, a Sabedoria Eterna e Encarnada. Consagremos-nos a Ele, pelas mãos maternais de Maria, e seremos sábios tanto quanto o desígnio que Deus tem para nós e, sobretudo, alcançaremos a santidade para a qual fomos criados e chamados.

……………………………….

¹ Daniel Rops. O apogeu da Escolástica: São Tomás de Aquino. In A Igreja das Catedrais e das Cruzadas. Tradução de Emérico da Gama. 2ª ed. São Paulo: Quadrante, 2012, p. 367.

² Editorial. Lumen Veritatis – Revista Acadêmica. Ano I – N° 1 – Outubro a Dezembro – São Paulo: Associação Colégio Arautos do Evangelho. 2007, p. 4-5.

³ Padre Victorino Rodrigues, Temas clave de humanismo Cristiano. Speiro. Madrid, 1984, p, 321.

4 Charles-Anatole, O.P., Saint Thomas d’Aquin, Lyon : Librairie Générale Catholique et Classique, 1895. In Lumen Veritatis – Revista Acadêmica. Ano I – N° 1 – Outubro a Dezembro – São Paulo: Associação Colégio Arautos do Evangelho. 2007, p. 26.

5 Mons. João Scognamiglio Clá Dias. Por que ser tomista? In: Lumen Veritatis – Revista Acadêmica. Ano I – N° 1 – Outubro a Dezembro – São Paulo: Associação Colégio Arautos do Evangelho. 2007, p. 25-26.

6 Mons. João S. Clá Dias, EP. In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. I, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2013, p. 159.

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