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Assunção de Nossa Senhora: alegria no Céu e na Terra

Tantos são os privilégios e dons da Santíssima Virgem Maria, que seria necessário anos infindos para contemplar suas grandezas e maravilhas. Bastaria “apenas” mencionar sua Imaculada Conceição, a Virgindade perpétua e sua Maternidade divina. Porém, deitemos a atenção para esta verdade e graça incomparável a respeito de Nossa Senhora, definida solenemente pelo Papa Pio XII, com sua suprema autoridade apostólica enquanto dogma: a Assunção de Maria em corpo e alma ao Céu.

Belezas sem conta se depreendem do mistério da Assunção. Podemos, entretanto, destacar uma destas aos leitores: como se deu a assunção de Nossa Senhora ao Céu.

Nossa Senhora da Assunção – Primeiro Convento de Santa Teresa – Ávila, Espanha

As representações do mistério da Assunção são inúmeras. Na generalidade delas, vemos Nossa Senhora sendo levada pelos Anjos. Poderíamos nos perguntar: foi mesmo Maria Santíssima carregada pelos Anjos ao Céu?

De fato, embora muito bem fique à Rainha dos Anjos ter os súditos ao seu redor e seguindo-a, isto não significava que Ela precisasse ser transladada, em corpo e alma, por eles para o Céu. Isto porque Nossa Senhora, “terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (1), em virtude de uma das qualidades do corpo glorioso. Qual é essa qualidade?

Com precisão, assim pontua um dos mais respeitados teólogos da Igreja: “o traslado material para um determinado lugar [o Céu], Maria o fez por si mesma, sem necessidade de ser levada pelos Anjos, em virtude de um dos dotes ou qualidades dos corpos gloriosos que é a agilidade. (2)

A hora da alegria e do triunfo

Com efeito, comenta Mons. João Clá Dias, em sua magistral obra intitulada “Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado”, que “após uma vida profundamente marcada pela cruz de seu Divino Filho, soou para Maria a hora da alegria e do triunfo”: a subida ao Céu em corpo e alma. (3)

Mas isto, que se deu com Nossa Senhora, se dará um dia conosco. Talvez esta afirmação nos cause certo espanto; no entanto é a pura realidade. Como Ela, quando chegar a Ressurreição dos mortos, ressuscitaremos pela misericórdia de Deus, com o corpo glorioso, revestido de suas qualidades, entre as quais, a agilidade. Que maravilha!

Para que possamos ganhar este prêmio, necessário é abraçarmos a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, as vias da virtude e dos Mandamentos. Na liturgia da Assunção de Nossa Senhora, no Evangelho, narra São Lucas que certo dia uma mulher exclamou a Jesus, do meio da multidão: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”; ao que Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Peçamos a Nossa Senhora da Assunção que nos obtenha dEle as melhores e mais numerosas graças para que nossos pensamentos, palavras , desejos e ações, assim como Ela, sempre se elevem ao alto, no perfeito cumprimento da Lei de Deus.

Nossa Senhora Assunta ao Céu, Rogai por nós!

Por Adilson Costa da Costa

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(1) Pio XII. Munificensissimus Deus: Constituição Apostólica. 1 nov. 1950. In: Documentos Pontifícios. Petrópolis: Vozes, 1951, p. 4-5.

(2) Pe. Antonio Royo Marin, OP. La Virgen Maria:  Teologia y espiritualidad marianas. Madri: BAC, 1968, p. 210-213.

(3) Mons. João S. Clá Dias. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. São Paulo: Artpress,  1997, p. 419.

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Dar glória a Deus

O martírio de São Lourenço – Museo Unterlinden – Comar, Alsacia

As histórias dos santos e mártires nos trazem fatos ricos em ensinamentos, apontando a finalidade para a qual fomos criados: dar glória a Deus! E essa glória por eles santamente prestada, apoia-se em dois elementos fundamentais: o esquecimento de si mesmo e a pureza de intenção. Exemplo disso podemos contemplar na vida e martírio de São Lourenço (258 d.C), cuja festa celebramos no corrente mês.

Estabelecido pelo Papa Sixto II arquidiácono de Roma, ficando responsável pelos tesouros da Igreja, sofria a violenta perseguição do imperador Valeriano contra os cristãos. O Prefeito de Roma, seguindo as ordens desse tirano, quis obrigar ao Santo que entregasse “os tesouros escondidos”. O preclaro diácono os trouxe, reunindo-os na praça, dizendo: “Vinde ver os tesouros de nosso Deus: vereis um grande pátio cheio de vasos de ouro e talentos amontoados em galerias”. Quais eram tais tesouros? Inúmeros pobres, ricos do amor a Nosso Senhor.

Diante de tal quadro, indignado, o prefeito determinou que deitassem a São Lourenço sobre um leito de ferro, debaixo do qual havia incandescentes brasas.

Eis que se dá o inimaginável, porém não surpreendente para os homens de fé: depois de o mártir estar deitado na grelha, por muito tempo, disse ao carrasco: “Fazei-me virar, pois já estou bastante assado deste lado”. E o fizeram! Já num segundo momento, bradou o mártir: “Está assado, podeis comer”. Olhando, então, para o céu, rogou a Deus pela conversão de Roma e morreu. (1)

São Lourenço, mártir – Itália

Que esse exemplo de heroísmo, com esquecimento de si mesmo e amor ao Criador, nos estimule a sempre buscarmos dar glória a Deus, amando e servindo-O. E como nos ensina São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, confiemos este fundamental dever de dar glória a Deus Àquela que, por excelência, trilhou esta esplendorosa via, cheios de amor e admiração à

“… sublimidade de suas intenções, que foram tão puras, que Ela deu mais glória a Deus, pela menor de suas ações, por exemplo, fiando em sua roca, dando um ponto de agulha, do que um São Lourenço estendido na grelha, por seu cruel martírio…” (2)

Por Adilson Costa da Costa

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(1)   Padre Rohrbacher. Vida dos Santos. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Vol. 14, p. 302-307.

(2)   MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 39 ed. Petrópolis: Vozes, 2009. Pág. 215.

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Frase da Semana – Nossa Senhora da Glória

“Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor”

(Lc 1,48-49)        

Assunção de Nossa Senhora – Catedral de Hamilton, Canadá

Neste 15 de Agosto, com muita alegria, a Arquidiocese de Maringá celebra a Festa da Assunção de Nossa Senhora, que na Arquidiocese é venerada sob o título de Nossa Senhora da Glória.

O Papa João Paulo II, através de Breve Pontifício, editado em  14 de Janeiro de 1995, a pedido do então Arcebispo Metropolitano Dom Jaime Luiz Coelho, instituiu Nossa Senhora da Glória como Padroeira da Arquidiocese e da cidade de Maringá.

As normas para a celebração das festividades da Padroeira da Arquidiocese foram definidas por Decreto do Arcebispo Dom Anuar Battisti, no dia 15 de Agosto de 2009.

Sempre no dia 15 de Agosto, como é feriado municipal, na parte da tarde há a celebração solene da Assunção de Nossa Senhora, na Catedral Metropolitana, para a qual devem acorrer todas as paróquias da cidade. Essa celebração é precedida, todos os anos, de uma Novena, da qual todos os fiéis são estimulados a participar.

A Frase da Semana homenageia a Padroeira de Maringá e deseja que estes dias sejam de crescimento espiritual e afervoramento, pois a verdadeira Glória de Maria é o Reino de Cristo entre nós.

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Basta somente a oração?

Entre tantas luzes que emanam de Santa Teresinha, podemos contemplar a doçura e a piedade. Bastará deitar os olhos para as páginas cativantes de “A história de uma alma’’, ou então, “Cartas de Santa Teresa do Menino Jesus” que ficamos extasiados por ver brilhar tais virtudes.

No entanto, podemos nos perguntar: tais virtudes foram, por si, suficientes para fazer da “Santinha de Lisieux” a grande Santa, Vítima do Amor Misericordioso? Consideremos estas linhas por ela escritas: “Li há tempos que os israelitas construíam as muralhas de Jerusalém trabalhando com uma das mãos e empunhando na outra a espada. Eis aqui uma imagem do que devemos fazer: trabalhar apenas com uma mão, reservando a outra para defender nossa alma dos perigos que possam impedir a união com Deus” (1).

Santa Teresinha do Menino Jesus

A partir destas palavras, podemos discernir em Santa Terezinha, cheia de doçura e piedade, uma vida marcada pelo zelo e bondade aplicadas à salvação das almas e de oração fervorosamente bem levada. Mas em sua existência não faltou outra virtude: vigilância. Sim, vigilância! Ela seguiu fielmente a recomendação do Salvador: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41).

Que proveito podemos tirar, a exemplo Santa Teresinha, destas palavras de Nosso Senhor?

São Bernardo nos aponta um: Aquele que combate Israel não dorme nem dormita. Todo o intuito, todo o afã das milícias espirituais em sua guerra contra nós e o de conduzir-nos e por-nos em seu caminho para que as sigamos e nos levem a desastroso fim que lhes está destinado”. Sobre estas palavras, comenta Mons. João Clá Dias: “Essa é uma das razões pelas quais devemos cuidar de nossas almas em quaisquer circunstâncias de nossa existência, quer seja na calmaria da clausura de um convento contemplativo, ou na mais intensa das atividades no mundo’’. (2)

Com efeito, a leitura do Santo Evangelho do XIX Domingo do Tempo Comum traz luzes que nos auxiliam a enfrentarmos o “bom combate” por Amor a Nosso Senhor:

Imagem de Nossa Senhora de Fátima

“Bem-aventurados aqueles servos, a quem o Senhor quando vier achar vigiando. Na verdade vos digo que se cingira, os fará por a sua mesa e, passando por entre eles, os servirá” (Lc 12, 37).

Peçamos a Nossa Senhora que obtenha de Jesus a graça de sempre nos ”achar vigiando”, seja qual for a ocupação que estejamos desenvolvendo, até o bendito dia de nosso encontro com o Senhor.

Por Adilson Costa da Costa

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(1) Santa Teresa de Lisieux. Conseils et souvenirs. Lisieux: Office central de Lisieux, 1954, p. 74 e Conselhos e Lembranças, Editora Paulus, 2012, 9ª. ed.

(2) Mons. João S, Clá Dias, EP. O inédito sobre os Evangelhos. v. VI, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, p. 271.

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São Domingos: De onde vem a paz deste Santo?

Quantos de nós, tantas vezes tomados por ocupações, atividades de toda ordem, estudos, trabalhos e, neste vale de lágrimas, acompanhados de preocupações, temos necessidade de colocar nosso olhar sobre algo que traga paz, nos faça “mergulhar”, ou se quiser, “voar” para outros mundos onde imperam a tranquilidade e a paz?

São Domingos de Gusmão (1)

Contemplemos esta foto de um Santo muito especial: São Domingos de Gusmão, Fundador da Ordem dos Pregadores e devoto ardentíssimo do Santo Rosário, cuja festa se celebra neste início de agosto.

Está ele revestido do hábito de sua ordem, sentado e lendo pensativamente um livro. Uma nota é distintiva em seu semblante: serenidade. Esta palavra tão cheia de significados, soa-nos como uma poesia e nos propicia um refrigério de alma. Serenidade, paz, harmonia, eis o que nós queremos e buscamos!

Imagine você leitor se pudéssemos perguntar a ele: – Irmão Domingos, de onde vem tanta paz?

Ele, por sua pregação e exemplo de vida, sem dúvida nos daria a seguinte resposta:

– Minha paz e serenidade vem, não porque me faltem sofrimentos, mas porque vejo a vida com os olhos da fé, postos em Jesus e Maria, que me dão a clareza e lucidez da visão das coisas com deve ser, através do olhar Deles. Assim, não tenho sustos, medos, agitações e temores. “tudo posso, naquele que me conforta”, tudo vejo com clareza – que me dá serenidade – na Sabedoria em que confio.

Que Nossa Senhora da Paz nos obtenha, de Seu Divino Filho, a visão das coisas e a serenidade de que tantos de nós precisamos, tal qual concedeu a São Domingos de Gusmão.

Foto de afresco: São Domingos de Gusmão (por Fra Angélico) – Mosteiro de São Marcos, Florença (Itália)

Por Adilson Costa da Costa

Para conhecer mais sobre a história deste Santo acesse:

Mons. João S. Clá Dias. Os Santos comentados: São Domingos de Gusmão. Disponível em: http://santossegundojoaocladias.blogspot.com.br/2012/08/sao-domingos-de-gusmao.html

Arautos do Evangelho. São Domingos de Gusmão. Disponível em: http://www.arautos.org/especial/17940/Sao-Domingos-de-Gusmao.html

(1) Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Fra_Angelico_052.jpg

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