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Devoção a Nossa Senhora – Comentários à Salve Rainha – (Parte VII)

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,

vida, doçura e esperança nossa, salve!

A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva.

A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa,

esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.

E depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

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Volvei para nós esses vossos olhos misericordiosos”

O cuidado materno é uma das coisas mais maravilhosas que Deus colocou na natureza humana. As mães têm por seus filhos uma dedicação incansável; quase se diria uma dedicação incompreensível aos olhos de quem não entende todo o significado do amor materno. Têm elas por seus filhos cuidados extremos: uma mínima queixa durante a noite, por exemplo, faz com que a mãe imediatamente se levante e vá atender à necessidade de seu filho; pode ser uma simples indisposição, pode ser o começo de uma gripe, pode ser fome, não importa: lá está ela alerta, disposta, sem olhar para o seu próprio cansaço. São os olhos maternos que permanecem atentos, vigilantes, prontos a fazer qualquer sacrifício para atender o seu filho. E se não for uma ocasião de necessidade que obrigue os olhos maternos a velarem o seu filho durante a noite, pode ser também num simples passeio, ou de uma brincadeira num parque, por exemplo. O tempo todo a mãe vigia para que seu filho não caia, não se machuque; mas, se por acaso acontecer de cair, imediatamente a atenção de mãe cuidará para que seu filho se levante o quanto antes! Desvelo de mãe, cuidado materno!

Ora, este cuidado, esta atenção que os olhos maternos têm para com os seus filhos são apenas uma pequena demonstração, uma pré-figura do que são os olhos misericordiosos de nossa Mãe Santíssima, pois Ela está constantemente movendo o seu olhar e acompanhando detalhadamente a nossa vida.

As Bodas de Caná, um grande exemplo do olhar de Maria sobre seus filhos.

Fachada e interior da igreja erigida no local das Bodas de Caná

É muito conhecido o episódio narrado nos Evangelhos em que Jesus e Sua Mãe Santíssima foram convidados para um casamento, em Caná da Galiléia (Cf. Jo 2,1-11). Segundo São Luís Maria Grignion de Montfort, nessa ocasião, por intercessão de Nossa Senhora, Nosso Senhor Jesus Cristo realizou o seu primeiro milagre na ordem da natureza.(1) A Rainha de misericórdia percebe que o vinho iria faltar, o que, de fato, iria gerar um extremo constrangimento para os jovens esposos.

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Comenta o Fundador dos Arautos, Monsenhor João Clá:
>Como sempre, despreocupada de Si, Maria Santíssima prestava atenção em tudo, desejosa de fazer o bem aos outros. Percebeu, então, talvez sem ninguém Lhe ter comunicado, a situação embaraçosa: acabara o vinho. Que vergonha para os anfitriões! Quão grande seria a decepção quando isto viesse a saber-se! Isto, porém, não aconteceu, pois, como diz São Bernardino de Siena, “o Coração de Maria não poderia ver uma necessidade, uma aflição” e, mesmo sem ser rogada, “Ela intervém, pedindo um milagre para tirar de embaraços esses humildes esposos”.

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É muito importante notar o quanto Maria está vigilante, pronta a atender às necessidades dos noivos, os quais, provavelmente nessa circunstância festiva, estavam completamente alheios ao imenso problema que teriam em breve: a falta de vinho. E Ela lhes ajuda, sem que eles saibam, ou melhor, sem que sequer tenham pedido.

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Assim também acontece conosco, que somos filhos de Maria: O Seu olhar misericordioso está o tempo todo acompanhando as nossas necessidades e, antes mesmo que peçamos, Ela está intercedendo por nós junto a Seu Filho Divino.

Santo Afonso de Ligório comenta em seu magistral Glórias de Maria:

Com grande afeto dirigia S. Gertrudes certa vez as sobreditas palavras à Virgem Santíssima: A nós volvei esses vossos olhos misericordiosos. Apareceu-lhe então a Senhora com o Menino Jesus nos braços e, mostrando-lhe os olhos de seu divino Filho, disse: São estes os olhos misericordiosos que posso inclinar, a fim de salvar todos a aqueles que me invocam.

Chorando uma vez um pecador diante de uma imagem de Maria, e pedindo-lhe que lhe alcançasse de Deus o perdão de seus pecados, viu a bem-aventurada Virgem voltar-se para o Menino que tinha nos braços e lhe dizer: Filho, perde-se-ão estas lágrimas? Reconheceu o infeliz que Jesus Cristo lhe concedera o perdão.(2)

Mas, se o olhar que Maria mantém constantemente sobre nós já é motivo de verdadeiro encantamento para seus filhos, que dizer, então, de seu olhar misericordioso? Ou seja, é um olhar não apenas atento e carinhoso, mas, principalmente, um olhar que reconhece, que entende a miséria de seus filhos e deles se compadece.
Com muita clareza explica Santo Afonso no que consiste essa misericórdia:

Predissera o Profeta Isaías que pela grande obra da redenção nos devia ser preparado um sólio de misericórdia. “E será estabelecido um sólio de misericórdia” (16,5). Mas qual é esse sólio? É Maria, na qual acham confortos de misericórdia, não só os justos, mas também os pecadores, responde Conrado de Saxônia. Assim como o Salvador é cheio de piedade, também o é Nossa Senhora; à semelhança do Filho, a Mãe nada pode recusar a quem a chama em seu socorro”.(3)

Portanto, assim como Maria não tira por um momento sequer o seu misericordioso olhar sobre nós, sobre nossos problemas, sobre nossas necessidades, assim também nós devemos pedir a imensa graça de não desviar – nem sequer por um instante – o nosso próprio olhar da misericórdia de nossa Mãe. Devemos confiar sempre e cada vez mais que esse olhar há de nos valer em todas as nossas necessidades, “agora e na hora de nossa morte”. Amém.

Por Prof. João Celso

1)São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 38ª. Ed. Petrópolis: Vozes, 2009. P. 28.
2)Santo Afonso de Ligório. Glórias de Maria. 3ª. Ed. Aparecida: Ed. Santuário, 1989. P. 179
3)Ibidem, p. 178

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Atividades do final de Semana – 06 e 07 de abril de 2013 – Arautos Maringá

COMUNHÃO REPARADORA DO PRIMEIRO SÁBADO

Neste primeiro sábado do mês de abril, a Devoção da Comunhão Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados será realizada na Paróquia N. Senhora da Liberdade, no Jardim América, em Maringá. (confira os detalhes abaixo).

Este será o 2º mês de uma série de 5 primeiros sábados em que esta devoção, pedida por Nossa Senhora em Fátima, será realizada na Paróquia N. Sa. da Liberdade. Esta continuidade torna mais acessível a Devoção para os que dela queiram tomar parte. Perseverar no atendimento a este maternal pedido de nossa Mãe é oferecer a ela uma reparação adequada pelos inúmeros pecados que se cometem contra o Seu Imaculado Coração. Que consolo para Ela perceber que ainda há muitas almas dispostas a desagravá-la!

 

Por que esta Devoção?

No dia 10 de Dezembro de 1925, apareceu a Santíssima Virgem à Irmã Lúcia “e pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe um Coração que tinha na outra mão cercado de espinhos. Ao mesmo tempo, disse o Menino Jesus [à irmã Lúcia]: Tem pena do Coração da tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”.(1)

Sendo assim, como poderíamos deixar de atender a este apelo divino? Venha, em companhia dos Arautos do Evangelho, desagravar o Coração Imaculado de Maria.

 

Programação:

 Data: 06 de Abril de 2013, 1º. sábado.
Local:            Paróquia Nossa Senhora da Liberdade

Endereço: Rua Júlio Mesquita, s/n – Jardim América – Praça da Capela

Maringá – PR

 

Programa: 17h – Início do atendimento às confissões

18h30 – Recitação do terço e meditação de um mistério do Rosário.

19h30 – Santa Missa, com coroação solene da Imagem Peregrina de N.Senhora de Fátima

 

 

SIMPÓSIO SOBRE O SANTO SUDÁRIO

O III Simpósio dos Arautos Maringá 2013 terá como tema o Santo Sudário de Turin. O Prof. Marcelo Veloso, biólogo e professor na Escola Arautos preparou uma apresentação extremamente competente e detalhada sobre esta que é uma das mais impressionantes relíquias da Fé Católica. De fato é um tema imperdível e desperta sempre um interesse especial, principalmente neste Segundo Domingo da Páscoa. É muito importante conhecer mais sobre esse tecido de linho fabuloso que envolveu o Sacratíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo e que contém, em si mesmo, provas irrefutáveis da Ressurreição e, portanto, da Divindade do Filho de Deus: Verdadeiramente, Ele Ressuscitou!

Venha atualizar-se, pois este Simpósio será realmente imperdível! Os aprofundamentos no conhecimento do Santo Sudário serão ocasião de muitas graças pelo favor daquela que é a Mãe de Deus feito Homem. Nossa Senhora da Ressurreição, rogai por nós!

Seguem abaixo os horários.

III Simpósio Arautos do Evangelho –  Maringá 2013.

Tema: O Santo Sudário de Turin.

Ministrante: Prof. Marcelo Veloso, dos Arautos do Evangelho

Data: Domingo, 07 de Abril de 2013.

Horários:

– Período da manhã: Das 09h às 11h30 (com intervalo de 20 minutos para café).

– Período da tarde: Das 15h às 16h30.

 

1) Mons. João Clá Dias. Fátima, o meu Imaculado Coração Triunfará. 2ª. Ed. São Paulo: ACNSF, 2007. P.46

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Brasil, Terra de Santa Cruz

Desde suas mais remotas origens, o Brasil está estreitamente vinculado à Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Logo ao nascer, serviu de altar para a celebração da santa Missa, à sombra benfazeja de uma grande cruz plantada em seu solo. Como não ver nesses fatos um desígnio providencial?

Por Antonio Queiroz (Fonte: Revista Arautos do Evangelho – Agosto – 2004. Pags 40-42)

Alguém disse que a história de um homem começa, pelo menos, duzentos anos antes de ele nascer. E a de um povo, quando tem início? Pode-se afirmar que ela começa tão mais remotamente quanto maior é a vocação à qual esse povo está destinado pela Providência.

O marco inicial da História do Brasil

Corria o ano de 1139. Na véspera da Batalha de Ourique, o destemido príncipe Dom Afonso Henriques decidiu passar a noite em oração, certamente para pedir a vitória das tropas portuguesas, mas talvez também pressentindo em sua alma o grande acontecimento que se daria no dia seguinte. Próximo ao amanhecer, levantando os olhos ao céu, viu um raio de luz resplandecente, no qual lhe apareceu “uma cruz de extraordinária grandeza, mais esplendorosa que o sol. E nela Jesus Cristo crucificado, acompanhado de grande multidão de anjos formosíssimos”.

Prostrado por terra, o príncipe perguntou ao Redentor o motivo de “tão soberana mercê”. Este lhe respondeu que viera para “fortalecer teu coração e fundar os princípios de teu reino sobre rocha firme”. E acrescentou: “Eu sou o Fundador e destruidor dos reinos e dos impérios. Sobre ti e teus descendentes, quero fundar para Mim um império, por meio do qual seja meu nome publicado entre as nações mais estranhas”.

Raiou o dia, travou-se a batalha e, no próprio campo da luta, os guerreiros cristãos aclamaram Dom Afonso Henriques rei. Assim nasceu o Reino de Portugal, com a missão de “publicar o nome de Cristo entre as nações”.

Quase quatro séculos depois, atracava em terras brasílicas — Porto Seguro, na Bahia — uma esquadra cujas naus arvoravam a Cruz da Ordem de Cristo. A Nação brasileira era uma daquelas nas quais o Divino Redentor queria que o Reino Luso publicasse o seu santo Nome.

Pode-se, pois, dizer que a História do Brasil começa na Batalha de Ourique.

Um país marcado pela Cruz de Cristo

Na manhã de 8 de março de 1500, uma grandiosa cerimônia se desenrola na Capela Real de Belém, Portugal: ao final de uma vigília de armas, Pedro Álvares Cabral recebe do rei Dom Manuel, o Venturoso, o estandarte da Ordem de Cristo. Comandando uma esquadra de 13 naus com 1500 destemidos navegadores, esse rijo fidalgo de 32 anos partia para uma incerta e arriscada viagem rumo à Índia.

Com bandeiras desfraldadas, os navios levantaram âncoras e seguiram em direção ao Ocidente. Ao cabo de um mês e meio de navegação, notaram os primeiros indícios de terra próxima. Narra o escrivão da armada: “Assim seguimos nosso caminho por mar, até que terça-feira das oitavas de Páscoa, que é 2l de abril, topamos com alguns sinais de terra. Na quarta-feira seguinte (22 de abril) avistamos as primeiras aves. Neste mesmo dia, à hora de véspera, avistamos terra. Primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo, e outras mais baixas, ao sul dele, todas muito chãs e com grandes arvoredos. Ao qual monte alto o capitão pôs o nome de Monte Pascoal, e à terra, de Vera Cruz”.

Estava descoberto o Brasil.

Desembarque de Cabral em Porto Seguro

No dia 23, desembarcaram os navegadores, ficando a nova terra como propriedade da Ordem de Cristo. Algum tempo depois, mudaram-lhe o nome para Terra de Santa Cruz.

E coisa que a nós brasileiros tornou-se banal, mas que aos estrangeiros maravilha, é poder ver, de qualquer ponto deste imenso território, o Cruzeiro do Sul, uma cruz feita de estrelas pelo próprio Deus, a cintilar nos nossos céus.

A julgar por um fato minúsculo, mas cheio de significado, parece que o Criador quis marcar, não só os céus, mas também a terra brasílica com este sinal da nossa Fé. No Parque Nacional do Monte Pascoal existe um cipó que, cortado em qualquer posição, deixa ver, com toda nitidez, o desenho da mesma cruz da Ordem de Cristo, gravada nas velas dos navios da esquadra descobridora.

A certidão de nascimento do Brasil

Em poucas palavras, Caminha descreve de forma viva e precisa os primeiros contatos dos navegantes lusos com os silvícolas: “Muito se admiraram os portugueses das matas, aves e rios que encontraram nas costas da baía. E de tudo, o que mais os interessava eram naturalmente os habitantes da terra, os quais tinham boa índole, embora os ossos que lhes perfuravam os lábios demonstrassem sua infeliz condição de barbárie. Muito ariscos a princípio, pouco a pouco foram se aproximando dos portugueses. Ao cabo de três dias, muitos deles já haviam trocado arcos e flechas por presentes que lhes davam os visitantes. Até que no domingo seguinte já podiam os portugueses assistir a primeira Missa, que celebrava o descobrimento da nova terra”.

Em sua carta ao Rei Dom Manuel, a qual passou para a História como a certidão de nascimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha relata com pormenores este ato que marcou o início de nossa vida enquanto nação. Cabral mandou a todos os capitães que “se arranjassem nos batéis e fossem com ele ouvir Missa e sermão. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquela ilha, e dentro levantou um altar bem arranjado. E ali com todos nós fez dizer Missa, celebrada por Frei Henrique de Coimbra com voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos padres e sacerdotes, a qual todos assistiram, segundo meu parecer, com muito prazer e devoção”.

Acrescenta o Escrivão que na ilha estava com o capitão o estandarte da Ordem de Cristo, o qual foi mantido alto durante a leitura do Evangelho. Subindo a uma alta cadeira, o celebrante fez o sermão sobre o Evangelho do dia. No fim, tratou da terra recém-descoberta, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência vieram os navegantes.

Os índios brasileiros, “gente boa e de bela simplicidade”

Grande número de índios assistiram da praia à cerimônia religiosa. Ao final, tocaram cornos e dançaram, em sinal de contentamento. Não é, portanto, sem razão que Caminha aconselha ao rei de Portugal mandar catequizar nossa gente: “Não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa Santa Fé” – afirma.

Por fim, faz votos de que “Nosso Senhor os converta, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade… Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons”. E acrescenta: “Deus, para aqui trazer os portugueses, não foi sem causa”.

No dia 1º de maio, os navegadores desembarcaram no continente e escolheram um lugar para erguer uma grande cruz. Narra o escrivão da armada: “O madeiro foi conduzido em procissão, com os sacerdotes e religiosos cantando à frente. Setenta a oitenta índios acompanharam de perto, e assim que viram a Cruz sendo levada aos ombros pelos portugueses, puseram-se solícitos debaixo dela para ajudá-los a carregá-la. Erguido o cruzeiro, Frei Henrique de Coimbra celebrou a segunda Missa, desta vez no continente.Também a esta os índios assistiram, ajoelhando-se ou levantando-se do mesmo modo que faziam os portugueses. De maneira que tinham as almas abertas para imitar as boas ações que os navegantes lhes ensinassem.”

Um pormenor histórico, especialmente promissor, é que no primeiro encontro dos navegantes com nossos índios “o que mais agradou os nativos não foram bugigangas, mas as contas brancas de um rosário”.

Ao concluir sua carta ao Rei, o escrivão insiste: “Esta terra, Senhor, (…) de tal maneira é graciosa, que querendo aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem. Contudo o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar”.

Uma história que ainda está por acontecer

Se nenhum passarinho cai por terra sem que seja da vontade de Deus (Mt 10, 29), como duvidar que a Providência tenha reservado um grandioso futuro para esta Nação, cujo descobrimento foi assinalado por tantas bênçãos divinas?

Encontrará o Brasil, nas reservas morais de muitos de seus filhos, a fidelidade e os recursos necessários para realizar plenamente sua excelsa missão no terceiro milênio?

Razões não nos faltam para crermos que sim!

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Os Exercícios Espirituais que antecedem a Consagração Solene

Com a ajuda inestimável de nossa Mãe, Maria Santíssima, vamos avançando na preparação para a Consagração a Jesus Cristo, pelas mãos de Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, cuja solenidade se dará no primeiro final de semana do mês de Maio próximo (posteriormente, informaremos os detalhes). Temos, no momento, duas turmas, realmente entusiasmadas, compostas por uma bela e dinâmica variedade de pessoas: desde jovens entusiasmados até pessoas de mais idade, mais maduras na Fé; todas – de fato – procurando preparar-se seriamente, com uma ótima frequência às reuniões de estudo.

Nesta semana, a partir da próxima terça feira, dia 02 de Abril, os consagrandos deverão começar os seus 33 dias de exercícios espirituais preparatórios, conforme recomenda São Luís Maria no Tratado da Verdadeira Devoção. Esses dias de orações e meditações apenas se encerrarão no dia 04 de Maio (sábado).

As orações propostas por S. Luís, bem como as datas respectivas serão listadas logo abaixo. Antes disso, gostaríamos de refletir um pouco a respeito dessa preparação. Façamos isto na agradável companhia do Tratado da Verdadeira Devoção, do qual pode-se dizer que se trata de um dos principais livros de Mariologia já escritos, vivamente aprovado e recomendando pelos Papas e por nossos Pastores.

No capítulo VIII do Tratado, a partir do n. 226 (a página pode variar conforme a edição), São Luís trata da importância de algumas práticas exteriores:

“226. Se bem que o essencial desta devoção consista no interior, ela conta também práticas exteriores que é preciso não negligenciar; tanto porque as práticas exteriores bem feitas ajudam as interiores, como porque relembram ao homem, que se conduz sempre pelos sentidos, o que fez ou deve fazer; também porque são próprias para edificar o próximo que as vê, o que já não acontece com as práticas puramente interiores.

Nenhum mundano, portanto, critique, nem meta aqui o nariz, dizendo que a verdadeira devoção está no coração, que é preciso evitar exterioridades, que nisto pode haver vaidade, que é preferível ocultar cada um sua devoção, etc. Responde-lhes com meu Mestre: ‘Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus’ (Mt 5,16). Não quer isso dizer, como observa S. Gregório, que devamos fazer nossas ações e devoções exteriores para agradar aos homens e daí tirar louvores, o que seria vaidade; mas fazê-las às vezes diante dos homens, com o fito de agradar a Deus e glorificá-lo, sem preocupar-nos com o desprezo ou os louvores dos homens”.(1)

A partir do n. 227 São Luís explica longamente e com muita propriedade quais os propósitos dessas práticas exteriores: São 33 dias de preparação, consistindo em 12 dias preliminares, seguidos por três semanas. Nas reuniões preparatórias, temos procurado detalhar esses exercícios espirituais, fornecendo, inclusive, material próprio às meditações.

No sentido de que os consagrandos tenham um resumo à disposição dos exercícios, através da rápida consulta ao Blog dos Arautos de Maringá, gostaríamos de confirmar, abaixo, o resumo das datas e das orações. Em caso de dúvida, sempre podem nos contatar ou buscar esclarecimentos nas reuniões. O mais importante é começar a preparação a partir deste dia 02 de abril, terça feira.

Doze Dias preliminares:

Tema da meditação: empregados em “desapegar-se do espírito do mundo, contrário ao de Jesus Cristo”.(2)

Orações: “Vem, ó Criador Espírito” e “Ave do Mar Estrela”.

Período: 02 a 13 de Abril de 2013.

Primeira Semana:

Tema da meditação: “Durante a primeira semana aplicarão todas as suas orações e atos de piedade para pedir o conhecimento de si mesmo e a contrição por seus pecados”.(3)

Orações: Ladainha do Espírito Santo e Ladainha de Nossa Senhora.

Período: 14 a 20 de Abril de 2013.

Segunda Semana:

Tema da meditação: “Durante a segunda semana, aplicar-se-ão em todas as suas orações e obras cotidianas, em conhecer a Santíssima Virgem”.(4)

Orações: Ladainha do Espírito Santo; Ave, do Mar Estrela e um rosário ou ao menos um terço.

Período: 21 a 27 de Abril de 2013.

Terceira Semana:

Tema da meditação: “A terceira semana será empregada em conhecer Jesus Cristo”.(5)

Orações: Ladainha do Espírito Santo; Ave, do Mar Estrela; Oração de Santo Agostinho; Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus; Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

Período: 28 de Abril a 04 de Maio de 2013.

Para correr bem uma maratona, uma atleta precisa de preparação física adequada, do contrário, não atingirá seus objetivos e poderá, ainda, sofrer danos irreparáveis. Da mesma forma, para fazermos bem este ato solene de entrega, temos também que fazer a preparação espiritual. Assim, S. Luís vai nos introduzindo no gosto da oração; como o curso de um rio, que depois percorrer muitos caminhos deságua finalmente no mar, assim também, nós, após no nosso “curso”, imploramos a graça de Deus para, finalmente, desaguar nas águas ternas e abundantes da verdadeira devoção à Nossa Senhora. “Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria”.(6)

Salve Maria!

1) São Luís Maria G. de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 38ª. Ed. Petrópolis: Vozes, 2009. P. 217.
2) Ibidem, p. 219
3) Idem.
4) Ibidem, p. 220
5) Ibidem, p. 221
6) Ibidem, p. 30
Sao-Luis-Grignon-de-Montfort-e-Joao-Paulo-II

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Devoção a Nossa Senhora – Comentários à Salve Rainha – (Parte VI)

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,

Maria Auxílio dos Cristãos –
Basílica de Maria Auxiliadora – Turim, Itália.

vida, doçura e esperança nossa, salve!

A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva.

A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa,

esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.

E depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria.

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 V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Eia, pois, Advogada nossa

São Luis Maria Grignon de Montfort

São Luís Maria Grignion de Montfort, nascido na França é um grande Santo mariano; suas diversas obras são conhecidas universalmente pelo enorme bem que fazem. Foram reconhecidas por vários papas e até utilizadas em suas encíclicas; entre eles, principalmente, o Beato João Paulo II que elegeu o Santo como “significativa figura de referência”, a quem o Santo “iluminou em momentos importantes da vida”.(1) Suas principais obras são: O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, O Segredo de Maria, O Segredo do Rosário, Carta Circular aos amigos da Cruz. Faleceu com apenas 43 anos, em 1743, quando tinha apenas 16 anos de sacerdócio.

Apesar de ter exercido o seu ministério por relativamente pouco tempo, foi um grande pregador e grande missionário. Fundou três congregações religiosas. Extraordinário apóstolo da devoção à Maria Santíssima. Foi canonizado pelo Papa Pio XII, em 1947.

Este grande santo é um ardoroso e incansável propagador do papel de Maria Santíssima como nossa Advogada. No seu esplendoroso Tratado da Verdadeira Devoção, utilizando-se da mesma doce expressão que Nosso Senhor Jesus Cristo usa no Evangelho, quando lamentou a infidelidade de seus filhos (Cf. Mt 23,37), São Luís menciona que Maria cuida de seus filhos: “abriga-os sob as asas de sua proteção, como uma galinha aos pintinhos”(2).

O papel que se espera de um advogado competente é que ele se empenhe para defender bem o seu cliente diante do tribunal. Em outro admirável livro, O Segredo do Rosário, S. Luís nos dá um exemplo de como Nossa Senhora há de nos proteger e nos defender diante do Tribunal Divino, no momento em que estivermos sendo julgados. Essa história, narrada pelo Santo nos faz entender o papel de Maria como nossa Advogada.

Antes de entrar propriamente na narração da história, o Santo nos adverte sobre o papel que as histórias piedosas têm na nossa vida.

Todos sabem que há três tipos diferentes de fé na qual cremos em três tipos diferentes de histórias:

Às histórias das Escrituras Sagradas damos fé divina;

Às histórias relacionadas a assuntos que não sejam religiosos, que não estejam contra o bom senso e que são escritas por escritores dignos, damos fé humana, enquanto,

Às histórias tratando de assuntos sagrados que são contadas por bons escritores e que não possuam nada contrário à razão, fé ou moral (mesmo que às vezes lidem com acontecimentos que sejam sobrenaturais), pagamos-lhe tributo de fé pia.

Concordo que não devemos ser nem um tanto ingênuos nem por demais críticos e que devemos lembrar que ‘a virtude segue o caminho do meio’, ao mantermos o bom equilíbrio encontraremos a verdade e a virtude. Mas, por outro lado, eu igualmente o sei que a caridade facilmente leva-nos a crer em tudo que não é contrário à fé ou à moral: ‘a caridade… tudo crê” (1 Cor 13,7); da mesma forma, o orgulho nos induz a duvidar mesmo das mais autênticas histórias sob o argumento de que elas não são encontradas na Bíblia”.(3)

Ora, os católicos, sob a orientação da Santa Igreja através de seus pastores, podem, com toda a tranquilidade, dar fé às histórias contadas pelos santos canonizados, em seus livros. Isto nos dá, portanto, segurança, para referir a história piedosa que S. Luís nos conta a seguir:

Afonso, rei de León e da Galícia, desejando que todos os seus servos honrassem a Santíssima Virgem rezando o rosário, colocava um grande rosário em seu cinto e sempre o usava, mas infelizmente nunca o rezava. Contudo, o fato de usá-lo, motivava a toda a corte a rezá-lo devotamente.

Um dia o rei adoeceu gravemente e quando creram que estava para morrer, ele caiu em êxtase, viu-se a si mesmo perante o trono do julgamento de Nosso Senhor. Muitos demônios estavam lá a acusá-lo de todos os pecados que havia cometido e Nosso Senhor como Juiz Soberano já estava para condená-lo ao inferno, quando Nossa Senhora apareceu para interceder por ele. Trouxeram uma balança, onde foram colocados todos os seus pecados. No outro prato Nossa Senhora colocou o Rosário que ele sempre carregava na cintura, juntamente com todos os Rosários que foram rezados por causa de seu exemplo. Viu-se que os Rosários pesaram mais do que seus pecados.

Ao olhá-lo com grande benignidade, Nossa Senhora disse: Como recompensa por esta pequena honra que você me fez em usar meu rosário, eu obtive uma grande graça de meu Filho. Sua vida será prolongada por mais alguns anos. Viva-os sabiamente, e faça penitência.(4)

Não sabemos quando acontecerá, mas é certo e a Doutrina da Igreja nos confirma(5) que logo após a nossa morte deveremos nos apresentar diante do Juízo Particular de Deus. O Juiz dará à alma de cada um aquilo que mereceu(6). Nesse grave momento de decisão final, irrevogável, inapelável, temos confiança de que estará lá, presente e atuante a nossa Advogada, Maria Santíssima. Com que alegria os seus devotos podem constatar que a sua Advogada é a Mãe do Juiz que dará a sentença, e dEle Ela pode alcançar, “com seus rogos, tudo quanto quer”.(7)

Continua ainda Santo Afonso: “Pobres pecadores! Que seria de nós, se não tivéramos esta grande advogada! Quanto a considera seu Filho e nosso Juiz por causa da compaixão, da prudência que nela encontra! Tanto a considera, que não pode condenar pecador algum que se acha sob seu patrocínio”.(8)

A interjeição que inicia esta invocação “Eia” – é usada para expressar um pedido, mas, um pedido feito com ânimo, com confiança!(9) Com isso, quer a Igreja que invoquemos nossa Advogada, para que atue em nossa defesa, não somente naquele dia de nosso derradeiro julgamento, mas, também durante esta vida, pois Ela “não se cansa de tratar com o Pai e o Filho o sério assunto da nossa salvação. Singular refúgio dos perdidos, esperança dos miseráveis e advogada de todos os pecadores que a Ela recorrem”(10).

Que a invoquemos, portanto, com ânimo, com certeza de sua intercessão “agora e na hora da nossa morte”: Eia, pois Advogada nossa!

Por Prof. João Celso

1) João Paulo II. Discurso do Santo Padre aos Participantes no VII Colóquio Internacional de Mariologia.. Roma, 13 de outubro de 2000. Disponível em www.vatican.va
2) S. Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem 38ª. Ed. Petrópolis: Vozes, 2009, p. 201
3) São Luís Maria Grignion de Montfort. O Segredo do Rosário. Belo Horizonte: Ed. Divina Misericórdia, s/d, p. 33
4) Ibidem, p. 28
5) Catecismo da Igreja Católica. N. 1021 e n. 1022.
6) São Tomás de Aquino, apud Clá Dias, Mons. João. Os novíssimos do homem. Revista Arautos do Evangelho, Nov/2006, n. 59, p. 10 a 16.
7) Santo Afonso Maria de Ligório. Glórias de Maria. 3ª, Ed. Aparecida: Ed. Santuário, 1989, p. 161.
8) Ibidem, página 162.
9) Grande Dicionário Houaiss da língua portuguesa
10) Santo Afonso Maria de Ligório. Op.cit., p. 160.
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