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A ÁGUA DA SAÚDE E A ÁGUA DO BATISMO DE JESUS

       Na medida em que a humanidade cresce nas pesquisas e descobertas científicas, mais se aprofunda o conhecimento a respeito das propriedades dos elementos da natureza e, sem dúvida, dentre estes, valorizado intensamente o é esta bendita criatura: a água.      Sim, a água, para nós, seres humanos é de vital importância e benefício. Bastará abrir as publicações, ainda que não acadêmicas – e outras tantas de muito peso – e verificar-se-á, com razão e, não poucas vezes, com espanto, uma verdadeira apologia da água. Na medicina, por exemplo, os pesquisadores e estudiosos da saúde têm apontado para sua utilidade crescente: prevenção e cura de artrites, eliminação dos antiácidos e cura da acidez estomacal, tratamento de angina, das dores lombares, da enxaqueca e da asma e assim por diante… Vai-se construindo, a propósito da água, um conhecimento científico, experimental, amplo e aprofundado, ao mesmo tempo em que se desenvolve o senso comum, atribuindo a ela propriedades até “miraculosas”.

       Mas, se é verdade este papel e importância da água, do ponto de vista natural, há ainda que considerá-la numa dimensão muito mais ampla, sobrenatural, dir-se-ia até, divina. E esta é salientada de modo muito especial, na Festa que a Igreja celebra, após a Epifania, no último domingo antes do Tempo Comum: o Batismo do Senhor.

       Sim, pois Nosso Senhor Jesus Cristo, ao receber o batismo de São João Batista, teve seu corpo adorável lavado na água do Rio Jordão. E como diz o bispo São Máximo de Turim, em seu sermão sobre os sinais do batismo do Senhor (in Liturgia das Horas – Tempo do Advento e Tempo do Natal, p.554): “Cristo foi batizado, não para ser santificado pelas águas, mas para santificá-las e para purificar as torrentes com o contato de seu corpo. A consagração de Cristo é sobretudo a consagração da água”.

       E a água, uma vez santificada e purificada pelo contato com o corpo do Homem-Deus, tornou-se “digna” de ser utilizada, pelo próprio Senhor, na instituição do Sacramento do Batismo, em que foi constituída como matéria deste Sacramento. Com efeito, sabe-se pela Doutrina Católica, que o sacramento, para que exista, requer três elementos: matéria (a coisa, o sinal sensível de que se usa para ministrá-lo), a forma (as palavras que se proferem na administração deles) e o ministro (a pessoa que confere o sacramento). Ora, no Sacramento do Batismo, justamente é a água a matéria principal. Portanto, se não há água, não há Batismo (com exceção do Batismo de desejo em que o não batizado realiza um ato de contrição perfeita ou de amor a Deus perfeito e morre impossibilitado de receber o Batismo com a água; ou ainda, o Batismo de sangue, que é o martírio por amor a e pela fé em Nosso Senhor, antes de ter recebido o Sacramento – mas, estes são assuntos para próximos artigos).

       Por outro lado, havendo o elemento água, juntamente com os outros elementos, vemos este benefício enorme, incalculável, maior do que qualquer vantagem corporal: é nos infundido a graça santificante, as virtudes e os dons do Espírito Santo; o perdão do pecado original e de todos os pecados pessoais e as penas devidas a eles; tornamo-nos filhos de Deus e da Igreja e herdeiros do Céu.

       Assim, temos nesta consideração a respeito desta criatura de Deus chamada água, a alegria e gratidão por tanta bondade e dons que de Nosso Senhor Jesus Cristo recebemos, através da água, quer para o corpo (a água da saúde), quer, para a alma (a água do Batismo do Senhor, para a santidade).

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