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Em que consiste a Consagração a Jesus Cristo, pelas mãos de Maria?

Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que Ele deve reinar no mundo (Tratado, Introdução, n. 1).[1]

Assim inicia S. Luís Maria G. de Montfort o seu magistral Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Toda a finalidade do livro e toda a intenção que o grande santo mariano teve em escrevê-lo já estão anunciadas nessas ardentes palavras iniciais.

Confessando “com toda a Igreja que Maria é uma pura criatura saída das mãos de Deus” (n. 14)[2], o santo nos indica, no entanto, a necessidade que temos da devoção a Nossa Senhora, pois “por meio de Maria, Deus Pai quer que aumente sempre o número de seus filhos, até à consumação dos séculos” (n.29). Uma necessidade, portanto, colocada pelo próprio Deus.

Com profunda gratidão a Nossa Senhora, temos visto nos últimos anos, centenas de pessoas buscando seguir esses abrasadores conselhos de S. Luís. Os Arautos do Evangelho, na medida de suas possibilidades, têm procurado reunir essas pessoas, proporcionando a elas a oportunidade de estudarem o Tratado, para que, após sérias reflexões, abracem com entusiasmo esse “caminho fácil, curto, perfeito e seguro” para chegar à união com Jesus Cristo” (n. 152).

Esta Devoção, bastante difundida no mundo católico, foi especialmente incentivada e praticada por São João Paulo II, o qual, deixou consignado em vários documentos o seu apreço pela obra de São Luís Maria Grignion de Montfort – e a importância que esta devoção teve em sua vida espiritual, desde a juventude. No discurso aos participantes do VIII Colóquio Internacional de Mariologia, assim se expressou o Papa:

São Luís Maria Grignion de Montfort constitui para mim uma significativa figura de referência, que me iluminou em momentos importantes da vida. Quando, como seminarista clandestino, eu trabalhava na fábrica Solvay de Cracóvia, o meu diretor espiritual aconselhou-me a meditar sobre o Tratado da verdadeira devoção à Santa Virgem. Li e reli muitas vezes, e com grande proveito espiritual, este precioso livrinho ascético de capa azul que se tinha manchado de soda. Ao situar a Mãe de Cristo em relação ao mistério trinitário, Montfort ajudou-me a entender que a Virgem pertence ao plano da salvação por vontade do Pai, como Mãe do Verbo encarnado, por Ela concebido por obra do Espírito Santo. Toda a intervenção de Maria na obra da regeneração dos fiéis não se põe em competição com Cristo, mas d’Ele deriva e está ao seu serviço. A ação que Maria realiza no plano da salvação é sempre cristocêntrica, isto é, faz diretamente referência a uma mediação que acontece em Cristo. Compreendi, então, que não podia excluir da minha vida a Mãe do Senhor, sem desatender a vontade de Deus-Trindade, que quis “iniciar e realizar” os grandes mistérios da história da salvação com a colaboração responsável e fiel da humilde Serva de Nazaré”[3]

São Luís Maria Grignion de Montfort propõe uma união maior a Jesus, através da Consagração feita a Ele, por intermédio de sua Santíssima Mãe.

Os consagrados a Jesus, pelas mãos de Maria destacam-se por buscar em suas vidas essa intensa e verdadeira devoção, explicitada por São Luís Maria Grignion de Montfort. Em que consiste essa devoção? Explica-nos o Santo, no Tratado (n. 120): “A mais perfeita devoção é aquela pela qual nos conformamos, unimos e consagramos mais perfeitamente a Jesus Cristo, pois toda nossa perfeição consiste em sermos conformados, unidos e consagrados a Ele. Ora, pois que Maria é, de todas as criaturas, a mais conforme a Jesus Cristo, segue daí que, de todas as devoções, a que mais consagra e conforma uma alma a Nosso Senhor é a devoção à Santíssima Virgem, sua Santa Mãe, e que, quanto mais uma alma se consagrar a Maria, mais consagrada estará a Jesus Cristo”.

Como seres humanos, contingentes, vemos, muitas vezes, nossas forças falharem. Portanto, a vocação à santidade, que nasce do gesto de consagração, deve ser acompanhada de uma confiança sincera e perseverante na especial assistência de Maria Santíssima, como assegura São Luís no Tratado. Se somos fracos, em Maria Santíssima encontramos nossa fortaleza! É neste sentido que recorremos a Ela e imploramos a sua assistência, o seu socorro, especialmente para os Consagrados e para todos os que buscam praticar a Verdadeira Devoção.

A preparação à Consagração

Para entender plenamente e assim viver com maior intensidade a Consagração, faz-se necessária uma preparação adequada, pois, ninguém pode amar verdadeiramente aquilo que não conhece. Essa preparação se dá através do estudo do Tratado da Verdadeira Devoção. A princípio, qualquer católico pode, por si mesmo e de maneira particular, ler e estudar o Tratado e fazer a sua Consagração. Muitos assim o têm feito e é um gesto bastante louvável! No entanto, a experiência tem mostrado que o estudo e a meditação em conjunto trazem maiores luzes e grande proveito espiritual para os que desejam avançar e progredir no amor a Deus, através da devoção a Nossa Senhora.

Nesse estudo dirigido tem-se a oportunidade de refletir sobre o grau de nossa devoção a Nossa Senhora: somos realmente devotos, ou apenas temos uma devoção superficial? Conhecemos, realmente, o papel de Maria na nossa vida espiritual, ou Ela é meramente uma “coadjuvante”? Rezamos a Nossa Senhora com inteira confiança, tendo-A como verdadeira intercessora, ou, simplesmente, “balbuciamos”, como criancinhas, algumas Ave-Marias durante nosso dia-a-dia, sem dar maior importância à Missão que o próprio Deus entregou à Maria no plano de nossa Salvação?

A preparação à Consagração nos dá a oportunidade de refletir sobre como Nossa Senhora tem participado (ou não!) de nossa vida espiritual. Abraçar esta Verdadeira Devoção, ensinada por São Luís e realizar a Consagração será, simplesmente, a consequência de um verdadeiro ato de amor!

Para obter mais informações sobre a Consagração e sobre a preparação, entre em contato com os Arautos do Evangelho e informe-se sobre as próximas turmas.

E-mail para contato sobre a Consagração: [email protected]

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[1] S.Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Petrópolis: Vozes, 43ª. Ed. 2013.

[2] No Tratado da Verdadeira Devoção, os parágrafos são numerados (do n. 1 ao n. 273. Portanto, as indicações, neste texto, entre aspas, referem-se ao parágrafo correspondente.

[3] João Paulo II. DISCURSO DO SANTO PADRE AOS PARTICIPANTES NO VIII COLÓQUIO INTERNACIONAL DE MARIOLOGIA. Roma, 13 de outubro de 2000. Disponível em www.vatican.va

Ver também:

João Paulo II. Carta às famílias monfortinas sobre a Doutrina do seu Fundador. Disponível em:

www.vatican.va

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