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A Eucaristia: alimento espiritual que o Bom Pastor nos oferece

Entre as mais belas figuras apresentadas por Nosso Senhor, para nos fazer compreender o quanto somos amados por Ele, está a do pastor que cuida diligentemente de suas ovelhas. Neste IV Domingo da Páscoa, o Evangelho de São João nos traz luzes maravilhosas que nos revelam a que extremos o Bom Pastor se entrega a nós, com vistas a nos dar a vida eterna. Imirjamos nestas inebriantes luzes e deixemo-nos amar por Ele e reciprocamente O amemos com verdadeira adoração.

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Sagrado Coração de Jesus: fonte de inesgotável amor e misericórdia

Desejamos nesse momento convidar nossos estimados leitores a desvencilharem-se por alguns instantes de suas ocupações quotidianas e das inquietações de nossa existência terrena para voltarmos nossas atenções para o ano de 1673, mais especificamente para o convento de Paray-le-Monial, na França. Ano em que Santa Margarida Maria Alacoque começou a receber uma série de aparições e revelações do Sagrado Coração de Jesus.

Sagrado Coração de Jesus

Nas aparições Nosso Senhor incumbiu a religiosa de difundir a devoção ao Sacratíssimo Coração; em tal missão a religiosa encontrou não poucas resistências, inclusive de algumas irmãs de sua congregação, mas com o auxílio da Providência e perseverança no ano de 1686 introduz-se no convento a festa do Sagrado Coração de Jesus; devoção que rapidamente espalha-se por outros mosteiros da Ordem da Visitação, à qual pertencia Santa Margarida, e posteriormente a celebração estende-se para todo país.

Nesse dia 12 de junho a Santa Igreja celebra a festividade do Sagrado Coração de Jesus, assim convidamos nossos caros leitores a dedicarem alguns minutos de seu tempo para, através de um vídeo produzido pela TV Arautos, conhecerem um pouco mais sobre essa devoção, as promessas que Nosso Senhor fez à Santa Maria Margarida Alacoque e a fazermos companhia ao “Coração que tanto amou os homens, que nada poupou até Se esgotar e consumir para lhes testemunhar seu amor e que, como retribuição, da maior parte só recebe ingratidões”.

Link para o vídeo: http://sagradocoracao.arautos.org

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Por que Jesus expulsou os vendilhões do Templo?

Quantos milagres nós contemplamos na vida de Jesus. Ele é a Divina Misericórdia que, cheio de compaixão e amor aos homens, restituiu a vista aos cegos, curou paralíticos, ressuscitou mortos, expulsou demônios… Quantos milagres! No entanto, há um gesto de Jesus, considerado verdadeiro milagre, produzido por sua Divina Justiça, onde Ele manifesta sua indignação contra a ofensa feita à glória de Deus e ao próximo. Qual será este gesto?

Tinha Nosso Senhor operado seu primeiro milagre, a transformação da água em vinho nas Bodas de Caná. Pouco tempo depois, nos primórdios de sua vida pública, Ele se dirige ao Templo no período da Páscoa, para cumprir a Lei.

Jesus expulsa os vendilhões do Templo – Granada, Espanha

Conta-nos o Apóstolo bem amado, João¹, que ao chegar ao Templo, Jesus encontrou vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas fazendo negócios. Tomado de santa ira, teceu um chicote e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois, espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E com sua divina voz, interpelou: “Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” (Jo 2, 16b).

O grande autor Orígenes² considera este gesto de Jesus como um verdadeiro milagre, onde Ele exerce seu poder irresistível. Milagre sim, pois Nosso Senhor no meio daquela multidão constituída de milhares de pessoas que tinham acorrido a Jerusalém por ocasião da Páscoa judaica ergue-se sozinho, com heroísmo e santa cólera, em defesa da Casa do Pai, expulsando com um chicote aqueles homens gananciosos e desrespeitosos do lugar sagrado. E ninguém se atreveu opor-se a Ele.

Eis aqui, no comentário de Mons. João Clá Dias, “uma admirável lição da virtude da justiça, permitindo-nos contemplar um aspecto raramente salientado – mas quão grandioso e adorável! – de sua divina personalidade” ³. [grifos nossos]

De fato, muito se fala da misericórdia de Jesus, e sem dúvida nunca será demasiado acentuar o quanto devemos amar Aquele Jesus de doce memória (canto da Liturgia), operando os mais belos milagres e restituindo a paz de alma aos que dele se aproximavam com fé, confiança e humildade. Sim, adoremos Jesus, a Divina Misericórdia, cujo Sagrado Coração é “cheio de bondade e de amor”! 4

No entanto, nosso amor ao Redentor deve ser total, admirando e adorando a todos os seus divinos aspectos, pois Ele é a própria Verdade, Bondade e Sabedoria. Nada há no Filho de Deus feito Homem que não devamos adorar.

Ora, por que, então, esta atitude de Jesus expulsando os comerciantes do Templo, é “um aspecto raramente salientado”? Não deveríamos nós adorar, com verdadeiro entusiasmo, este aspecto de sua divina personalidade?

Assim explica Mons. João Clá Dias 5, com profundidade e atualidade a questão: “Quanto se prega hoje em dia contra a disciplina, a ponto de se deformar o verdadeiro conceito de liberdade! Uma concepção errada, baseada nas idéias de Rousseau – de que todo o homem é bom, e por isso deve ser deixado entregue à sua natureza -, penetrou em muitos ambientes, inculcando uma máxima que poderia ser expressa assim: ‘Todo o homem é bom, a correção é que o torna mau’”.

Mas esta atitude de alma, a recusa da disciplina, encontra fundamento na Sagrada Escritura, a Palavra de Deus em relação à qual devemos nortear nossas vidas? Eis como continua o Fundador dos Arautos:

“Entretanto, o ensinamento da Escritura não deixa margem a dúvida. Os autores sagrados discordam desse ponto de vista tão comum em nossos dias, como por exemplo, nesta passagem: “A loucura apega-se ao coração da criança; a vara da disciplina afastá-la-á dela” (Pr 22, 15). E mais adiante: “Não poupes ao menino a correção: se tu o castigares com a vara, ele não morrerá, castigando-o com a vara, salvarás sua vida da morada dos mortos” (Pr 23, 13-14). E ainda: “Quem poupa a vara odeia seu filho, quem o ama, castiga-o na hora precisa” (Pr 13, 24)”. (Ver Nota)

E bem observa: “Estas palavras talvez sejam duras para os ouvidos de hoje, todavia foram inspiradas pelo próprio Espírito Santo e devem ser recebidas com amor”.

E conclui: “A bondade do Homem-Deus é infinita e, portanto, inesgotável. Mas Jesus não é exclusivamente a Bondade. Ele é também a Justiça. Apesar de serem extremos opostos, castigo e bondade constituem contrários harmônicos. Por este motivo, numa educação sábia e virtuosa, da mesma forma que jamais podem faltar a bondade, o afeto, a misericórdia, também não pode ser desprezada a disciplina: “Vara e correção dão a sabedoria; menino abandonado à sua vontade se torna a vergonha da mãe” (Pr 29, 15). Nesta matéria tão delicada, nota-se uma perfeita continuidade entre o ensinamento moral do Antigo e do Novo Testamento”.

A tal ponto esta perfeita continuidade entre o Antigo e Novo Testamento, que podemos meditar o que nos diz o Evangelho de São Mateus: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5, 6). Em outros termos, devemos ter sede não só de misericórdia, mas de justiça. E ainda lemos no último livro sagrado do Novo Testamento: “Eu repreendo e castigo aqueles que amo” (Apocalípse 3, 19). Ou seja, amor e castigo não se excluem, em certas circunstancias o amor se manifestará em repreensão.

Aqui está uma preciosa consideração, com base nas Sagradas Escrituras e, sobretudo, no Evangelho de São João (2, 13-25), contemplado neste 3º Domingo da Quaresma, onde vemos a Jesus expulsando os vendilhões do Templo. Peçamos à Nossa Senhora que nos obtenha de Seu Divino Filho, a graça de sabermos adorar a Misericórdia e a Justiça de Jesus, compreender e amar o papel da disciplina e da repreensão.

Veja também:

Haverá bondade no castigar?

Imagens que falam – Expulsão dos vendilhões do templo

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¹ Jo 2, 13-25

² Orígenes. Commentaria in Evangelium Joannis. T.X, n. 16: MG 14, 186.

³ Mons. João S. Clá Dias, EP. O amor e o castigo se excluem? In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. III, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2014, p. 199.

4 Invocação da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

5 Mons. João S. Clá Dias. Idem, p. 204

Nota: Nas notas da “Bíblia Sagrada – Ave Maria – edição de estudos”, encontramos o acertado comentário deste trecho do Livro dos Provérbios (22, 13-15): “A sabedoria anda de mãos dadas com a diligência.[…]. O coração jovem, tenro e inexperiente, continua facilmente esta tendência (contrária da diligência, a vadiagem); daí a necessidade de educá-lo e corrigi-lo”. 13 ed, 2012, p. 954.

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Por que o homem é a obra prima da Criação?

É possível que o caro leitor, depois de um dia fatigante de trabalho, ao entardecer, retornando para o seu lar, tenha em certo ângulo do percurso se deparado com um belo por do sol. Aquele jogo de cores, entre azul e róseo certamente o terá encantado e lhe servido de refrigério psíquico e até, quiçá, espiritual.

Por do sol na Comunidade dos Arautos do Evangelho de Maringá

Ou então, num final de semana repousante, tenha passeado por um jardim zoológico e analisado os diversos animais: ora um pavão, com sua calda prestigiosa, onde o azul prateado e o verde esmeralda se harmonizam esplendidamente, conformidade própria a deixar certos pintores e mestres das artes visuais atônitos com tão curiosa combinação de cores de que a natureza é capaz. Ora um leão, fazendo jus a seu imorredouro título de “rei dos animais”, com seu porte majestoso e calmo, a rugir sonoramente e intimidando as demais criaturas.

Face à variedade aspectos da criação, ficamos muitas vezes admirados. No entanto, caro leitor, você já deve ter formulado a seguinte questão: todas as criaturas, por mais belos reflexos e símbolos que sejam do Criador, comparadas com o homem, são muitíssimo inferiores. Conforme São João Crisóstomo (+404), o grande doutor da Igreja, “é o homem, grande e admirável figura viva, mais precioso aos olhos de Deus do que a criação inteira”. ¹

De onde vem tanta superioridade do homem em relação às demais criaturas visíveis? Por que é o homem “a obra prima da Criação”? ²

A resposta no-la dá o Catecismo: “só o homem é chamado a compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Foi para este fim que o homem foi criado, e aí reside a razão fundamental de sua dignidade”. ³

Sim caro leitor, nós somos criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, capazes de conhecer e amar nosso Criador, enquanto as demais criaturas visíveis não o podem. E esta capacidade de conhecer e amar a Nosso Senhor, guiada pela graça, nos santifica na terra e nos prepara para a felicidade eterna no Céu.

Sagrado Coração de Jesus – Arautos do Evangelho

Por isto mesmo, em seu Diálogo com Deus, a grande doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, com alegria se manifesta: “Qual foi a razão que te levou a colocar o homem em tão sublime dignidade? Certamente o incompreensível amor com que o pensaste e dele te enamoraste! Por amor criaste o homem e lhe deste o ser, desejoso de que saboreasse teu sumo e eterno Bem” 4. Em outros termos, o homem foi criado e chamado para a eterna felicidade, na contemplação de Deus face a face.

E de tal forma o amor de Deus por nós se elevou ao inimaginável que, segundo São João Crisóstomo, Ele atribuiu tanta importância à salvação do homem que nem se quer poupou seu Filho único em nosso favor.5

Assim, caro leitor, quando te vires encantado pelas belezas da criação, lembra-te que o Criador as fez para ti. E que Ele mesmo será a tua recompensa demasiadamente grande, se tu fizeres bom uso das criaturas e viveres na amizade com Deus. Que Nossa Senhora te ajude!

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¹ São João Crisóstomo. Sermão sobre o Gênesis 2, 1.

² Catecismo da Igreja Católica. Tópico n. 343: o mundo visível. 11. ed. São Paulo: Loyola, 2001, p. 100.

³ Catecismo da Igreja Católica. Tópico n. 356: o homem. 11. ed. São Paulo: Loyola, 2001, p. 102

4. O Diálogo, Ed. Paulinas, São Paulo: 2ª. ed., 1984, p. 52.

5. São João Crisóstomo. Idem.

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O que é a verdadeira gratidão?

Vivemos um momento no qual impera o individualismo, a busca incansável pela satisfação dos ímpetos, estando eles ou não em harmonia com o bem do próximo. A todo momento presenciamos relações que se estabelecem a partir de um juízo corrompido de valor: qual beneficio terei em fazer ou deixar de praticar tal ato?

Percebemos que o “eu” coloca-se no centro da vida e, em muitos casos, é cultuado enquanto única razão para a vida terrena. Neste sentido as virtudes, como por exemplo a gratidão, são meros conceitos abstratos em, quando muito, estão relegadas ao plano da conveniência social.

A partir desta realidade nos perguntamos: em que consiste a verdadeira gratidão?

De acordo com Mons. João Clá Dias, EP,  na obra “O inédito sobre os Evangelhos” (1), raras vezes interrompemos as ocupações cotidianas para considerar quantos bens nos são concedidos pela Divina Providência ao longo da nossa vida, ainda que não os tenhamos pedido ou sequer desejado.

Ao buscar a fonte de tais benefícios, devemos lembrar que não existiríamos sem um desígnio de Deus. A partir do nada, foi Ele constituindo a diversidade de seres, ao longo dos seis dias da criação, como está descrito no Gênesis, até modelar Adão do barro e Eva de sua costela, e neles infundir a vida. E cada nascimento, que ocorre a todo instante no mundo inteiro, é um fato extraordinário porque à lei física se acrescenta uma lei espiritual: Deus infunde uma alma inteligente, criada pelo simples desejo de sua vontade, num corpo concebido pelo concurso do pai e da mãe!

Imagem de Nossa Senhora de Fátima – Arautos do Evangelho

E tudo o mais – a saúde, o alimento, o repouso, o conforto – vem d’Ele, direta ou indiretamente. Além disso, o Criador nos promete para depois de transpor os umbrais da morte um grande milagre: tendo nossos corpos sofrido a decomposição, voltando ao barro do qual fomos feitos, retomaremos um corpo glorioso que se unirá de novo à nosso alma, já na visão beatífica, e gozaremos da felicidade de Deus por toda a eternidade.

Quanta bondade do Pai Eterno! Entretanto… como é a nossa resposta? Somos gratos por tudo quanto recebemos? Quão rara é a virtude da gratidão! Muitas vezes ela se pratica apenas por educação e meras palavras. Todavia, para ser autentica, é preciso que ela transborde do coração com sinceridade.

Mons. João Clá Dias, EP prossegue escrevendo que, além de dar-nos a vida humana, Deus nos concede o inestimável tesouro da participação na sua vida divina pelo Batismo e, mais ainda, nos dá constantemente a possibilidade de recuperar esse estado quando perdido pelo pecado, bastando para isso nosso arrependimento e a confissão sacramental.

Sobretudo, dá-Se a Si mesmo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade como alimento espiritual para nos transformarmos n’Ele, santificando-nos de maneira a nos garantir uma ressureição gloriosa e a eternidade feliz. Ele nos deixou sua Mãe como Medianeira, para cuidar do gênero humano com todo carinho e desvelo. Os benefícios que Deus nos outorga são, assim, incomensuráveis! Qual não deve ser, pois, nossa gratidão em relação a Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima?

Abraçar com entusiasmo e abnegação a santidade e batalhar com sempre crescente dedicação pela expansão da glória de Deus e da Virgem Puríssima na Terra, eis o melhor meio de corresponder ao infinito amor do Sagrado Coração de Jesus, que se derrama sobre nós às torrentes, do nascer do sol até o seu ocaso.

Eis em que consiste a verdadeira gratidão: servir com dedicação, amor e abnegação a Jesus Cristo e Maria Santíssima!

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(1) Mons. João S. Clá Dias, EP. O inédito sobre os Evangelhos. v. VI, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, p. 403-413.

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