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Quem são os Arautos do Evangelho?

Os Arautos do Evangelho são uma associação internacional de direito pontifício (em latim Evangelii Præcones, cuja sigla é E.P.) A primeira a ser erigida pela Santa Sé, pelo Papa João Paulo II, no terceiro milênio. Seu fundador é o Monsenhor João S. Clá Dias. Tem como carisma a divulgação do belo em todas as esferas humanas. Sua espiritualidade é baseada em três pilares: Devoção a Eucaristia, a Nossa Senhora e ao Papa.

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2016: Um ano abençoado pela presença de Maria

“Deus quer, portanto, revelar e manifestar Maria, a obra-prima de suas mãos”.

(São Luís Maria Grignion de Montfort – Tratado da Verdadeira Devoção – n. 50)[1]

O desejo ardente do grande missionário francês, São Luís Maria Grignion de Montfort, ao escrever a sua obra luminosa – O Tratado de Verdadeira Devoção – é de que mais e mais pessoas aderissem à Devoção preconizada por ele, ou seja, uma total entrega a Jesus Cristo, pelas mãos de Maria. Afinal, como menciona o Santo já no início de sua Obra: Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo”.[2] Com muita alegria e agradecimento a Deus, vemos que mais e mais pessoas têm procurado atender a esse santo desejo (pois é um desejo de um Santo!), ou seja, uma aproximação maior com a Devoção a Nossa Senhora.

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Revista Maringá Missão

Uma interessante entrevista sobre os diversos aspectos da vida e evangelização dos Arautos do Evangelho foi realizada pela Revista Maringá Missão, da Arquidiocese de Maringá, através de sua Jornalista Fabiana Ferreira, com a participação do Reverendíssimo Padre Roberto Takeshi. Temos a alegria de aqui estampá-la. ¹

 

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

Os Arautos do Evangelho são uma Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício, a primeira a ser erigida pela Santa Sé no terceiro milênio, o que ocorreu por ocasião da festa litúrgica da Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro) em 2001.

Composta predominantemente por jovens, esta Associação está presente em 78 países. Seus membros de vida consagrada praticam o celibato, e dedicam-se integralmente ao apostolado, vivendo em casas destinadas especificamente para rapazes ou para moças, os quais alternam a vida de recolhimento, estudo e oração com atividades de evangelização nas dioceses e paróquias, dando especial ênfase à formação da juventude.

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RMM – Quem compõe a Associação Arautos do Evangelho?

Pe. Roberto Takeshi: Os Arautos do Evangelho são uma Sociedade de Vida Apostólica de Direito Pontifício e compõe-se predominantemente de jovens de vida consagrada que praticam o celibato e levam uma vida de dedicação integral à Igreja Católica. Numa linguagem mais simples: semelhantemente às ordens religiosas, como por exemplo, os Beneditinos, Carmelitas, Franciscanos, só que bem mais recente. A associação nasceu no Brasil, foi fundada por um sacerdote também brasileiro, o Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, que reside em São Paulo.

Ultimamente alguns Arautos têm seguido também a vocação sacerdotal, uma vocação dentro da vocação. Nós contamos também com a ajuda dos Cooperadores, que são sacerdotes, religiosos, pessoas casadas ou solteiras que querem viver o carisma dos Arautos, mas por terem outras obrigações, o fazem dentro do ambiente paroquial, profissional ou familiar em que Deus os colocou, contribuindo muito, também, desse modo, para a evangelização.

RMM – Como é o modo de vida dos membros? (A que se dedicam?)

Pe. Roberto Takeshi: A vida dos membros consagrados é de contemplação, oração e disciplina; estudo, arte e ação apostólica.  Residem em casas destinadas especificamente para rapazes ou para moças. Vivem o recolhimento do estado religioso alternando com atividades de evangelização nas dioceses e paróquias, dando especial ênfase à formação da juventude. A vida de um Arauto do Evangelho é ao mesmo tempo rotineira e viva, ordenada e movimentada.

Na casa de Maringá, temos o despertar da comunidade às 6h15 e o café da manhã com leitura de textos ou audição de palestras gravadas. Em seguida, na Capela do Santíssimo Sacramento, a comunidade realiza a oração da Liturgia das horas e do primeiro terço do rosário – as outras orações rezam-se em particular. Terminadas estas preces, são combinados e definidos os trabalhos de apostolado e atividades a que os arautos se dedicarão durante o dia.

 Ao entardecer, assiste-se à Santa Missa — aberta às famílias — e à noite, num momento muito abençoado e solene, cantam-se as horas Completas da liturgia e a Salve Rainha, em Gregoriano, à Nossa Senhora. Assim, diante do Santíssimo Sacramento, encerra-se o programa do dia.

Existem várias casas, entretanto, com finalidades mais específicas, como as voltadas para os estudos teológicos avançados, ou num outro extremo, a comunidade dos jovens da “Cavalaria de Maria”, um grupo de missionários Arautos que vivem em permanente atividade evangelizadora, fazendo Missões Marianas e viajando pelo Brasil constantemente. Apesar da diversidade de atividades, a missa diária, a confissão periódica, a devoção à Eucaristia e as orações a Nossa Senhora fazem parte da vida de todo Arauto.

RMM – Conte-nos sobre a devoção à Nossa Senhora de Fátima – como nasceu?

Pe. Roberto Takeshi: A devoção a Nossa Senhora de Fátima é muito arraigada aqui no Brasil e vem de nossas raízes católicas portuguesas, já que ela apareceu em Fátima, Portugal, para três pastorinhos.

Todo mundo conhece a história, mas poucos conhecem e estudam a sua mensagem com seriedade. A mensagem é atualíssima! Ela descreveu, ainda no início do século, com detalhes impressionantes, a atual crise religiosa e moral, os pecados, as guerras e perseguições que estamos vendo. Para evitar tudo isso a Virgem pediu a devoção a ela, a oração do terço, a penitência e a mudança de vida.   Mas algo importantíssimo de sua mensagem, e ao qual se poderia dar especial destaque, é uma promessa cheia de esperança. Após descrever os grandes males de nosso tempo, a Virgem de Fátima prometeu que Ela mesma os vencerá. Ela diz: “… mas, por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

Esta atualidade da mensagem de Fátima veio de encontro ao chamado dos Arautos. Veio de encontro a nós no momento de nosso nascimento, na figura muito amada por nós brasileiros do saudoso Papa João Paulo II, devoto ardoroso de Nossa Senhora de Fátima e que nos estimulou e nos concedeu grandes honrarias, coroando pessoalmente, no Auditório Paulo VI em Roma, com milhares de fiéis, a Imagem Peregrina de Fátima pertencente aos Arautos. Isso após cumprimentar o Mons. João, nosso fundador, em 2001.  Ele conclamou os Arautos a atuarem na Nova Evangelização, que envolve o mundo inteiro, inclusive os católicos afastados de uma fé praticante.

RMM – Como é realizada no dia a dia?

Pe. Roberto Takeshi: A devoção a Nossa Senhora deve ser praticada em todos os momentos da vida do fiel. Para nós consagrados, praticada quer na comunidade, quer em qualquer ambiente. Uma devoção constante, terna, santa, interior, desinteressada. O fiel deve recorrer à mãe celeste com muita naturalidade, apresentando-lhe todos os seus problemas e necessidades com tranquilidade,  confiando inteiramente em seu amor e em sua materna proteção. Deve também, é claro, procurar agradar a esta boa Mãe em tudo, seguindo seus exemplos e evitando as ofensas a Deus.  As práticas típicas dos devotos da Virgem de Fátima são aquelas que ela mesma pediu: como a oração diária do terço, a devoção ao seu Imaculado Coração e a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados, que os Arautos realizam nas paróquias. Os Oratórios de Nossa Senhora de Fátima, que visitam grupos de trinta famílias cada um, facilitam muito esta devoção nos dias de hoje.

RMM – De que forma essa devoção é divulgada na comunidade/Igreja?

Pe. Roberto Takeshi: Sua divulgação se faz através de eventos como, por exemplo, as peregrinações da Imagem de Fátima em famílias, escolas, hospitais, asilos, empresas, instituições, a Tarde com Maria, a Devoção dos Primeiros Sábados ou por meio de missões, intituladas de Missões Marianas, nas paróquias. Os Arautos dispõem de uma revista mensal, da TV Arautos, de um site principal e de vários blogs locais, nos quais se pode encontrar informação de qualidade sobre Fátima e vários outros temas religiosos.

RMM – No dia 13 de maio comemoramos o Dia de Nossa Senhora de Fátima, há alguma programação especial na Associação?

Pe. Roberto Takeshi: Sim, comemoramos praticamente em todos os lugares onde haja comunidades dos Arautos (além do Brasil, os Arautos estão presentes em mais outros 77 países). Em Maringá, neste ano, os Arautos comemorarão o Dia de Nossa Senhora de Fátima com a celebração de uma Missa Solene na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no Requião.

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RMM – Em todas as apresentações musicais, teatrais ou visitas há a coroação de Nossa Senhora de Fátima?

Pe. Roberto Takeshi: Normalmente, nestes eventos, a coroação de Nossa Senhora de Fátima é o momento auge, de maior devoção. Sabemos que Maria Santíssima, após suas lutas, alegrias e sofrimentos nesta terra, ao entrar nos Céus foi recebida pelos coros dos Anjos e dos Santos com grande esplendor e glória, um prêmio merecido por suas virtudes.  A Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, a coroou como Rainha de todo o Universo. Assim, com cantos, cortejos e toques de instrumentos, o que os Arautos fazem nestas coroações é apenas tentar relembrar e, de certa forma, repetir este ato, declarando e coroando Nossa Senhora como Rainha de nossos corações e nossas vidas.  É claro que cada evento tem suas particularidades. Tudo dependerá do programa, dos horários, objetivos.

RMM – A Devoção à Nossa Senhora nos aproxima de Deus? Como essa relação deve ser vivida para que tenhamos a nossa fé enraizada em Cristo, mas não distante de Nossa Senhora?

Pe. Roberto Takeshi: Inequivocamente, a devoção a Nossa Senhora nos aproxima de Deus. Aliás, a Mãe do Salvador não faz outra coisa, conforme a teologia católica, senão restituir tudo ao seu divino Filho, do que a Ela ou por Ela oferecemos. É como nos mostra a Constituição dogmática Lumen Gentium: a devoção a Virgem Santíssima “[…] de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece”. É por isto que para o católico verdadeiramente instruído na fé e maduro espiritualmente, não faz sentido ter receios ou escrúpulos em louvar e recorrer à Medianeira de todas as graças.

RMM – Quando uma paróquia/comunidade quer a presença dos Arautos do Evangelho, como devem proceder?

Pe. Roberto Takeshi: É muito simples. Os Arautos estão sempre à disposição para servir, buscando uma participação ativa, consciente e responsável na missão salvífica da Igreja. Assim, basta uma comunidade ou paróquia entrar em contato conosco, referir qual atividade evangelizadora pretende de nós que, com todo contentamento, procuraremos atender ao chamado; apenas se atentando a questões da agenda da Nossa Senhora, que como podem imaginar, é concorrida, mas, por outro lado, é como o coração dela, em que sempre cabe mais um.

Entrevista: Fabiana Ferreira/Jornalista

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¹ Revista Maringá Missão. Arautos do Evangelho – “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”. Ano XVIII, n° 191 – Maio de 2015, p. 29 a 31.

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A devoção a Nossa Senhora atrapalha a devoção a Jesus Cristo?

Uma das questões levantadas ao longo da História sobre a devoção a Maria Santíssima, formula a seguinte pergunta: a devoção a Nossa Senhora atrapalha, desvia a devoção a Jesus Cristo?

Um belo artigo estampado no Boletim Informativo “Salvai-me, Rainha de Fátima, pela graça de Cristo, Nosso Redentor” nos traz a resposta de forma sucinta, interessante e irrefutável. Vejamos os dois argumentos expostos, muito úteis, aliás, para esclarecermos aqueles e aquelas que, embora piedosos, tem por vezes certa dificuldade em compreender o papel imprescindível da devoção à Mãe de Deus.

Nossa Senhora de Paris – Arautos do Evangelho

Dois pontos são apresentados. O primeiro, por meio da Constituição Dogmática Lumen gentium: “Todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (Lumen gentium, n. 60). [grifos nossos]

Outro argumento no sentido de demonstrar o quanto a devoção a Nossa Senhora é o melhor caminho para se chegar a Jesus Cristo, é explicitado séculos antes por São Luis Maria Grignion de Montfort.

Diz o Santo missionário mariano: “Seria possível que Aquela que achou graça diante de Deus para o mundo inteiro em geral, e para cada um em particular, impedisse uma alma de encontrar a grande graça da união com Ele? Seria possível que Aquela que foi cheia de graça e superabundante de graças, e tão unida e transformada em Deus que este n’Ela Se encarnou, impedisse uma alma de ficar perfeitamente unida a Deus?” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 164).

E conclui São Luis: “Vós, Senhor, estais sempre com Maria, e Maria sempre convosco; nem pode Ela estar sem Vós, pois senão deixaria de ser o que é; de tal modo está Ela transformada em Vós, pela graça, que já não vive, já não existe: sois Vós que viveis e reinais n’Ela, de maneira mais perfeita que em todos os Anjos e Bem-aventurados. […] Maria está tão intimamente unida a Vós que mais fácil seria separar do sol a luz, e do fogo o calor” (idem, n. 63).

Apresentados estes argumentos, mais fácil fica compreendermos o “indispensável papel de Maria na nossa salvação” – conforme salienta Mons. João Clá Dias: “Pois assim como Jesus veio a nós por Maria, é também  por meio d’Ela que obteremos as graças necessárias para sermos outros Cristos e alcançarmos a vida eterna”. ²  [grifos nosos]

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¹ Pe. Juan Carlos Casté, EP. Jesus e Maria, unidos como o fogo e o calor In Boletim Informativo Salvai-me, Rainha de Fátima, pela graça de Cristo, Nosso Redentor, Ano XI, n° 58.

² Mons. João S. Clá Dias, EP. Amanhã, tudo saberemos! In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. II, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2013, p. 172.

 

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“Sim, eu quero oferecer sacrifícios para salvar os pecadores”.

Beata Jacinta, vidente de Fátima, Portugal. (1)

A pequenina Jacinta ainda não completara 10 anos quando a Santíssima Virgem, no dia 20 de Fevereiro de 1920, levou-a para o Céu – conforme lhe prometera anteriormente. Juntamente com seu irmão Francisco (falecido um ano antes) e sua prima Lúcia, Jacinta é uma das videntes de Fátima, a quem Nossa Senhora apareceu, pedindo-lhes que comunicasse ao mundo a urgente mensagem da parte de Deus.

Tão pequenina, já atingira um alto grau de santidade. Mas, santidade tão eminente somente fora alcançada através de enormes sofrimentos e sacrifícios e de uma confiança inabalável nas promessas realizadas por Nossa Senhora.  Em todas as ocasiões, desde o simples privar-se de uma fruta saborosa até suportar os sofrimentos de uma cirurgia sem o uso de anestesia, procurava Jacinta oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores: “(…) sofro tudo por amor de Nosso Senhor, para reparar o Imaculado Coração de Maria, pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre” (2)

Mesmo em tenra idade, deixou-nos a Beata Jacinta tocantes ensinamentos. Ouvindo e tomando nota de suas palavras, a Madre Godinho, que cuidava da pequena em seu leito de morte, quis saber quem havia lhe ensinado tantas coisas. Respondeu ela: “Foi Nossa Senhora; mas algumas [coisas] penso-as eu. Gosto muito de pensar” (3).

Em poucos anos de vida, Jacinta atingiu uma tão alta união com Nosso Senhor Jesus Cristo, que pode ter chegado àquele grau chamado de “troca de corações” por alguns teólogos. Disse ela: “Eu não sei como é: sinto Nosso Senhor dentro de mim, compreendo aquilo que Ele me diz, embora não O veja e não escute a sua voz!”

Mas, não nos esqueçamos! Se Jacinta chegou em tão pouco tempo a este grau de união com Deus, foi porque soube entender e praticar ternamente a devoção a Nossa Senhora. Sigamos, pois, nós também, o conselho dado por ela à Lúcia na última despedida: “Diz a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Ah! Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o fogo que tenho cá dentro do peito, que me queima e me faz gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!” (4)

Beatos Jacinta e Francisco, rogai por nós!


(1) Beata Jacinta: milagre da Graça. Revista Arautos do Evangelho,Maio/2004, n. 29, p. 12 a 15.

(2) Monsenhor João S. Clá Dias.Fátima, o Meu Imaculado Coração Triunfará. São Paulo:ACNSF, 2005, página 4.

(3) Idem, p. 43,

(4) Beata Jacinta: milagre da Graça. Revista Arautos do Evangelho,Maio/2004, n. 29, p. 12 a 15.