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Há maior paz que na Cruz de Nosso Senhor?

Às vezes, depois de um “dia corrido”, ao entrarmos em uma igreja, especialmente ornada de imagens esculturalmente belas, que representam de maneira artística e com talento, as virtudes próprias de santos e santas, sobremaneira, de Jesus e sua Mãe Santíssima, ficamos encantados e, por alguns instantes, paramos pensativos. Imaginemos que encontrássemos uma imagem de Nosso Senhor, por exemplo, como esta – ou próxima em semelhança desta que reproduzimos nesta seção – e nela deitemos nosso olhar e atenção.

Igreja dos Mártires – Lisboa, Portugal

Quanta paz emana desta fisionomia de Nosso Senhor, ainda que em meio a tanta dor!

Uma paz verdadeiramente carregada de serenidade, de quem levou até suas últimas consequências a missão que o Pai lhe conferiu: Ele morreu e sofreu por mim, por você caro leitor, por qualquer um… E este foi o preço que o Redentor pagou para nossa salvação: a morte, e morte de Cruz!

Esta Cruz atrai. Atrai-nos para um estado de espírito cheio de serenidade, nos remete para outras perspectivas, para outros horizontes, para além deste vale de lágrimas: o Céu. No entanto, misteriosamente, a Cruz de Nosso Senhor ao mesmo tempo que convida para nos colocarmos na perspectiva sobrenatural e da eternidade, nos fortalece e nos comunica, uma tranquilidade, uma confiança, capaz de suportar a dor e a aridez desta terra de exílio.

Com efeito, a Bíblia Sagrada nos traz de forma eloquente estas palavras que bem podem ser aplicadas a Nosso Senhor com sua Cruz: “Ó vós todos que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta” (Lm 1, 12).

No entanto, ao contemplarmos este Crucifixo de Nosso Senhor, bem podemos ouvir no interior de nossos corações: Parai e vede… se há paz maior do que aquela que encontramos na Cruz de Nosso Senhor!

Assim sendo, como bem exorta nosso Fundador, Mons. João Clá Dias, EP, “[…] fugimos da cruz por desconhecermos a imensa felicidade oferecida por ela quando é abraçada com alegria. À medida que adequamos todo o nosso modo de ser, perspectivas, visualizações, desejos, pensamento, dinamismo, atividade e tempo em função de Nosso Senhor, somos invadidos por uma paz interior que a nada pode ser comparada. Descem as bênçãos do Alto e operam-se as maravilhas da graça”. (1)

Nossa Senhora das Dores – Colômbia

Que esta paz de Nosso Senhor pregado na Cruz, pelos rogos de Nossa Senhora das Dores, neste mês de setembro em que se comemora a Exaltação da Santa Cruz, nos faça amá-la, honrá-la e exaltá-la como o verdadeiro símbolo de glória, conforme nos anima a famosa Carta Circular aos Amigos da Cruz, de São Luis Maria G. de Montfort. Aconselha este santo, ao que se propõe a esta especial amizade: “Leve-a [a Cruz] aos ombros a exemplo de Jesus Cristo, a fim de que essa cruz se torne para ele a arma de suas conquistas […] Enfim, coloque-a, pelo amor em seu coração, para torná-la numa sarça ardente que, sem consumir-se queime, noite e dia, de puro amor de Deus!”. (2)

E assim, digamos com São Paulo: “Que eu me abstenha de gloriar-se de outra coisa que não a Cruz de meu Senhor Jesus Cristo” (Gl 6,14).

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós e uni-nos à Cruz de Vosso amado Filho!

Por Adilson Costa da Costa

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(1) Mons. João S. Clá Dias, EP. A Cruz, quando inteiramente abraçada, nos configura com Cristo. In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. VI, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, p. 175.

(2) Carta Circular aos Amigos da Cruz, n. 19.

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Assunção de Nossa Senhora: alegria no Céu e na Terra

Tantos são os privilégios e dons da Santíssima Virgem Maria, que seria necessário anos infindos para contemplar suas grandezas e maravilhas. Bastaria “apenas” mencionar sua Imaculada Conceição, a Virgindade perpétua e sua Maternidade divina. Porém, deitemos a atenção para esta verdade e graça incomparável a respeito de Nossa Senhora, definida solenemente pelo Papa Pio XII, com sua suprema autoridade apostólica enquanto dogma: a Assunção de Maria em corpo e alma ao Céu.

Belezas sem conta se depreendem do mistério da Assunção. Podemos, entretanto, destacar uma destas aos leitores: como se deu a assunção de Nossa Senhora ao Céu.

Nossa Senhora da Assunção – Primeiro Convento de Santa Teresa – Ávila, Espanha

As representações do mistério da Assunção são inúmeras. Na generalidade delas, vemos Nossa Senhora sendo levada pelos Anjos. Poderíamos nos perguntar: foi mesmo Maria Santíssima carregada pelos Anjos ao Céu?

De fato, embora muito bem fique à Rainha dos Anjos ter os súditos ao seu redor e seguindo-a, isto não significava que Ela precisasse ser transladada, em corpo e alma, por eles para o Céu. Isto porque Nossa Senhora, “terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (1), em virtude de uma das qualidades do corpo glorioso. Qual é essa qualidade?

Com precisão, assim pontua um dos mais respeitados teólogos da Igreja: “o traslado material para um determinado lugar [o Céu], Maria o fez por si mesma, sem necessidade de ser levada pelos Anjos, em virtude de um dos dotes ou qualidades dos corpos gloriosos que é a agilidade. (2)

A hora da alegria e do triunfo

Com efeito, comenta Mons. João Clá Dias, em sua magistral obra intitulada “Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado”, que “após uma vida profundamente marcada pela cruz de seu Divino Filho, soou para Maria a hora da alegria e do triunfo”: a subida ao Céu em corpo e alma. (3)

Mas isto, que se deu com Nossa Senhora, se dará um dia conosco. Talvez esta afirmação nos cause certo espanto; no entanto é a pura realidade. Como Ela, quando chegar a Ressurreição dos mortos, ressuscitaremos pela misericórdia de Deus, com o corpo glorioso, revestido de suas qualidades, entre as quais, a agilidade. Que maravilha!

Para que possamos ganhar este prêmio, necessário é abraçarmos a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, as vias da virtude e dos Mandamentos. Na liturgia da Assunção de Nossa Senhora, no Evangelho, narra São Lucas que certo dia uma mulher exclamou a Jesus, do meio da multidão: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”; ao que Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Peçamos a Nossa Senhora da Assunção que nos obtenha dEle as melhores e mais numerosas graças para que nossos pensamentos, palavras , desejos e ações, assim como Ela, sempre se elevem ao alto, no perfeito cumprimento da Lei de Deus.

Nossa Senhora Assunta ao Céu, Rogai por nós!

Por Adilson Costa da Costa

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(1) Pio XII. Munificensissimus Deus: Constituição Apostólica. 1 nov. 1950. In: Documentos Pontifícios. Petrópolis: Vozes, 1951, p. 4-5.

(2) Pe. Antonio Royo Marin, OP. La Virgen Maria:  Teologia y espiritualidad marianas. Madri: BAC, 1968, p. 210-213.

(3) Mons. João S. Clá Dias. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. São Paulo: Artpress,  1997, p. 419.

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Como ganhar a vida?

    Está em nossa natureza o desejo da felicidade. Sempre estamos, explicita ou implicitamente, buscando-a de alguma forma. Basta ser humano para se querer este ideal. E, certamente, quem a encontrou pode dizer que fez o grande negócio de sua vida, ou então, que ganhou a vida.

         Ora, mas quando é que se ganha a vida?

         Muitos dirão: Ah! Tendo muito dinheiro!

    Mas se pararmos para analisar aqueles que tiveram ou têm excelente situação econômica, poderíamos nos perguntar: todos eles foram ou são felizes? Muitos de nós, talvez, poderemos responder pela experiência da vida: não! Seja por casos de doença (como dizem: dinheiro não compra saúde), por problemas de relacionamento, seja o que for, o dinheiro não traz o que a vida não proporcionou, não se terá assim a felicidade completa.

         Alguém ainda poderia dizer: a felicidade está no prestígio, em ser aplaudido e ser bem visto. No entanto, quantos foram aqueles que num momento eram elogiados e ovacionados e, com o passar do tempo, foram desprezados ou esquecidos. Há casos também de pessoas muito aplaudidas pela sociedade, mas que por algum problema pessoal carregam grandes amarguras, muito bem dissimuladas perante o público, mas que algumas vezes acabam vindo à luz em desfechos trágicos.

         Bem, mas alguém também poderá dizer: pelo menos alcançam felicidade aqueles que têm os prazeres da vida. Aqui talvez seja mais evidente o desmentido da realidade. Vivenciamos um período histórico no qual uma “famosa” doença atinge a um número crescente de pessoas das mais variadas idades, entre essas, muitas emblemáticas e gozadoras da vida, que após seus momentos de euforia, na intimidade, têm como indesejável companheira a depressão.

         Mas então, como encontrar a felicidade?

Los Jerónimos- Lisboa, Portugal

Busquemos na sabedoria da Igreja, “tão antiga e tão nova” – adaptando os dizeres de Santo Agostinho – as luzes do Evangelho que possam iluminar as vias que nos conduzirão a uma felicidade especial, incomparável, que “nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam” (Mt 6, 20).

         Uma leitura cuidadosa do Evangelho de São Lucas mostrará um trecho luminoso a este respeito. Eis que, na contramão da avareza, das honras e prazeres mundanos, deparamo-nos com os Versículos 23-24, contemplados no XII Domingo do Tempo Comum, em que Nosso Senhor diz:

         “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9, 23). Seguí-Lo para onde? Onde está Jesus? Ele se encontra agora “sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso” (1), em seu trono de glória, gozando da maior e mais perfeita felicidade, tão grande que não podemos concebê-la: a felicidade eterna! E continua:

         “Pois quem quiser ganhar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9, 24).

         Portanto, atendamos ao convite de Nosso Senhor. Comentava estas divinas palavras, Mons. João Clá Dias: “[…] podemos ressaltar que, ‘ganhar a vida’ significa também ter uma existência pautada pelos Mandamentos, visando como objetivo a santidade. Em nossa época, na qual os homens pagam qualquer tributo para trilhar uma carreira brilhante e construir um nome de prestígio, lucraria muito quem meditasse nessa passagem […]” (2).

Virgen de la Asuncón – Catedral de Asunción,  Paraguay

Então caro leitor, se nós queremos “ganhar a vida” e, veja bem, nos dois sentidos da expressão, ou seja, alcançarmos a felicidade possível nesta terra e a eterna no Céu, sigamos o maravilhoso conselho, que vem acompanhado de uma promessa infalível, não feita por qualquer homem, mas pelo próprio Homem-Deus:

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentada” (Mt. 6, 33).

E assim teremos ganho, como Ele, a vida. Roguemos à Nossa Senhora a graça de seguirmos a Nosso Senhor,  nas vias da santidade, dos Mandamentos, alcançando a verdadeira felicidade.

Adilson Costa da Costa

(1) Catecismo da Igreja Católica. Artigo 6. 11ª ed. São Paulo: Loyola, 1999, p. 189.

(2) Mons. João S. Clá Dias, EP. O inédito sobre os Evangelhos. v. VI, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana e São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, p. 173-174.

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Por que a Cruz atrai tanto?

Vemos em nossos dias as multidões, especialmente jovens e adolescentes, acorrerem em torno dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude: a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora. Estes principais símbolos da JMJ têm peregrinado por inúmeras dioceses, recentemente a Arquidiocese de Maringá e a Diocese de Campo Mourão. Especialmente nesta última, estiveram os jovens Arautos da Cidade Canção, com sua banda, participando da carreata acolhedora, desde a Paróquia Nossa Senhora do Caravágio até a Catedral de São José.

Quanto entusiasmo, devoção e fé! Ao vermos as pessoas assim atraídas pela Cruz de Nosso Senhor e pelo ícone de Sua Mãe Santíssima, talvez pudéssemos nos perguntar: por que a Cruz atraí tanto?

Com efeito, ao passarmos pelas páginas da História, contemplamos Alguém, pregado no instrumento de suplício daquele que era o símbolo da abjeção: a cruz. Sim, a cruz, destinada como pena capital aos criminosos e aplicada como castigo por atos violentos e até sanguinários. E, a partir do momento em que o Inocente por excelência, nela preso dolorosamente por três cravos, derramou seu sangue infinitamente precioso, para nos remir de nossos pecados, esta cruz se transformou no mais magnífico símbolo da salvação e da glória. “[…] pela cruz, chegar à luz que não conhece ocaso”. (1)

A Cruz de Nosso Senhor realmente atrai… Atraiu os primeiros cristãos e mártires. Atraiu Santa Helena, mãe do imperador Constantino Magno, que por amor a Cristo, dirigiu-se em peregrinação à Terra Santa. Ordenando a santa imperatriz que se fizessem pesquisas e investigações para encontrar a Verdadeira Cruz de Nosso Senhor, determinando escavações no local do Santo Sepulcro e milagrosamente identificando, no ano de 326, qual das três cruzes ali encontradas era a do Deus Encarnado (a Igreja celebra a festa da Invenção da Santa Cruz no dia 3 de maio). (2)

Hoje a Cruz atrai as multidões de jovens e fiéis que se preparam para o encontro, na capital fluminense, da JMJ. (3) E atrairá, pelos séculos dos séculos, as pessoas que reconhecem e adoram a Jesus Cristo, Aquele que disse de si: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6)

Tomar a sua cruz

Mas afinal, qual o sentido desta atração da Cruz? O próprio Homem-Deus nos ensina: […] “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16, 24). É a cruz o símbolo para nós da renúncia a si mesmo e a entrega incondicional a Jesus Cristo. É a cruz a via pela qual, pela graça de Deus e mediante o nosso “sim”, cumprimos os Mandamentos e temos, com isto, como prêmio já nesta terra, a felicidade da paz de consciência pelo amor manifestado e o dever cumprido para com Deus e o próximo. Para isto é preciso muita graça, torrentes mesmo de graças. Portanto, rezemos Àquela que estava aos pés da Cruz, inseparável de Seu Divino Filho, e digamos: Senhora, “não permitais que de Vós e de Vosso Filho nos separemos”. Não permitais que nos separemos da Cruz de Jesus Cristo. Rogai por nós!

(1) Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja – Disponível em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html – Acesso em 12/02/2013.
(2) KASUO, Roberto. Relíquias da Paixão. In Arautos do Evangelho, São Paulo, n. 27, p. 34-37, mar. 2004.
(3) Gaudium Press. Disponível em: http://www.gaudiumpress.org/content/29050-Rio-de-Janeiro-sera-a-sede-da-JMJ-2013. Acesso em: 12/02/2013.