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Beleza litúrgica

Beleza e mistério estão profundamente relacionados na liturgia. Quando esta é realizada com amor a Deus e amor à perfeição, manifesta-se nos fiéis a ação do Espírito Santo que os “fascina e enleva”, que faz com que aqueles que a assistem não vejam a função litúrgica como um mero ato de domingo, mas voem para essa fonte divina que é o Amor. A liturgia celebrada com amor deixa perceber esse amor aos fiéis.

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Frase da semana: Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos.

Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos.

Livro do Eclesiástico, 7, 40

Inúmeros são os pensamentos, as ideais, convicções que preenchem e “alimentam” o nosso dia a dia e nos levam a praticar esta ou aquela ação. Atitudes e obras as mais diversas – numa perspectiva meramente humana e passageira – necessárias ou sem importância, boas ou, quiçá, más.

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No entanto, O Espírito Santo, no Livro do Eclesiástico, nos faz uma recomendação fundamental, para tudo aquilo que realizamos: “Em todas as tuas obras lembra-te dos teus Novíssimos, e nunca mais pecarás”. Ou seja, pensa naquelas últimas coisas que estão reservadas a cada um de nós: morte, juízo, inferno ou Paraíso.

“Em todas as tuas obras”, quer dizer, não somente quando rezamos ou vamos à Missa, fazemos jejum ou praticamos um ato de piedade, mas em tudo devemos nos lembrar e meditar sobre nosso fim último: a eternidade, o Céu.

É ou não verdade que, se cumprirmos com este conselho de Deus, teremos mais cuidado no que fazemos e assim Lhe agradaremos, evitaremos o pecado, e nos prepararemos para o Céu?

Mesmo as mais simples ações, como um trabalho físico ou algum estudo, o limpar uma sala, ou até fritar um ovo, em todas as obras, seremos mais felizes e poderemos constatar que na ponta de cada uma delas, haverá um grande prêmio, se a fizermos com intenção de glorificar a Deus, para o bem do próximo e, mediante isto, alcançarmos a salvação eterna!

Em outros termos, em nossas ações, “nosso único objetivo deve ser o de fazer a vontade de Deus a nosso respeito, e aí, sim, irmos ao encontro do ‘Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória’”, conforme nos ensina Mons. João S. Clá Dias, ao comentar a vinda triunfal de Nosso Senhor Jesus Cristo, em seu Corpo glorioso, no fim do mundo.

Na realidade, esta Frase da Semana deveria ser a Frase de todos os nossos dias. E, após nossa morte, tendo passado pelo Juízo Particular, poderemos ouvir na felicidade plena a Voz do Salvador: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25, 34b).

Que este seja o ideal e a meta de nossas vidas. Assim seja!


¹ Mons. João S. Clá Dias, EP. Não devemos buscar as glórias deste mundo como um fim. In: _____. O inédito sobre os Evangelhos. v. IV, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2014, p. 525.

Veja o Sermão pregado por Mons. João Clá Dias, no qual trata tema relacionado com a Frase da Semana, sobre a Palavra de Deus posta em prática e a segurança da salvação eterna em

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As delícias de Deus Uno e Trino habitando em nós

Ao sermos batizados, eis que se opera em nós o mais belo dos milagres: somos inabitados pela Santíssima Trindade. Mas, afinal, como compreendermos o alcance de tamanha graça? Se considerarmos que a Santíssima Trindade, ou a unidade e trindade de Deus, é para qualquer criatura um mistério insondável, podemos perguntar: Como entendermos esta inabitação de Deus Uno e Trino em nós?

Eis uma consideração, para além das idéias, utilíssima para nossa vida espiritual, muito própria a fazê-la nesta Solenidade da Santíssima Trindade.

Santíssima Trindade

Desde nossas primeiras lições de Catequese, aprendemos que existem dois principais mistérios de nossa fé: a Unidade e Trindade de Deus e a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto ao primeiro mistério, sobre o qual procuraremos tratar nesse artigo, a Doutrina Católica nos ensina que existe um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; por uma ação da graça, esta verdade de fé, penetra-nos na alma de forma simples e robusta, ainda que sua compreensão escape completamente pela razão humana. A que se deve isto?

Assim nos explica, com objetividade, didática e clareza, a obra “A vida íntima de Deus Uno e Trino”: “Nós, meras criaturas humanas, nunca poderíamos descobrir, nem mesmo suspeitar, que em Deus há três Pessoas numa única natureza. Só mesmo através da Fé podemos acreditar no mistério da unidade e trindade de Deus, revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo”.¹

E continua: “Mesmo assim, precisamos que o Espírito de Verdade, o Paráclito, nos dê uma compreensão cada vez mais profunda da verdade”. Ainda nesse sentido, Mons. João Clá Dias, escreve: “Porque é o Espírito Santo que nos ensina, que nos faz compreender, às apalpadé-las, como diz São Paulo, mais ou menos como quando entramos num quarto escuro, privados de eletricidade, numa noite coberta por nuvens escuras; precisamos caminhar devagar e com todo o cuidado, às apalpadelas”.²

Com este auxílio do Espírito Santo, por meio da Fé, temos uma noção a respeito das três Pessoas da Santíssima Trindade.

Aprofundando tal noção o Fundador dos Arautos do Evangelho, assim aborda este Mistério:

“Desde toda a eternidade, o Pai é tão rico em seu pensamento, Ele possui um pensamento tão cheio de substância, em grau infinito e todo feito de sabedoria – é a sabedoria em essência, a sabedoria em substância – que gera uma outra Pessoa. É o Pai que gera o Filho, porque o Filho é o pensamento do Pai, é essa sabedoria que já existe antes mesmo de começar a obra da Criação. Então, desde toda a eternidade, o Pai gera o Filho. E o Filho, ao ser gerado pelo Pai, olhando para o Pai e o Pai olhando para o Filho, nós temos daí a procedência de uma Terceira Pessoa que é o Espírito Santo. A geração do Filho dá na Sabedoria Eterna; a procedência do Espírito Santo dá no Amor Eterno, que é o amor do Pai e do Filho”. ³

Temos aqui a abordagem doutrinária sobre o dogma da Santíssima Trindade, ensinado pelo Magistério infalível da Igreja, desde os primórdios de sua fundação.

Muitas seriam as considerações a respeito do Mistério trinitário. No entanto, impraticável dentre dos limites de um artigo. Assim, caberia tratar deste ponto útil para nossa união com Deus Uno e Trino. Como compreender sua inabitação na alma humana?

Sabemos que nossa vida de cristão, nesta terra é de passagem. Somos criados e chamados para a felicidade eterna, no Céu, cujo prêmio mais excelente é a posse de Deus. Ora, para tal prêmio, Deus nos quer desde já preparar, estabelecendo entre Ele e nós um sagrado convívio. Este relacionamento se dá a partir do Batismo. Por isto, somos chamados templos vivos de Deus, templos do Espírito Santo. E, portanto, devemos crescer neste relacionamento com as três Pessoas divinas. Quanto mais conservarmos a graça de Deus, ou a amizade com Deus, mais sentiremos a presença de Deus em nós. Daí o porquê devemos lançar mãos de todos os recursos espirituais, a oração, a participação na Santa Missa, a freqüência aos Sacramentos e a prática dos Mandamentos, para que não expulsemos Deus de nossos corações.

Apenas para ilustrar com um exemplo eloquente da presença e atuação da Santíssima Trindade em uma alma, é muito edificante e elucidativo o que nos narra Michel-Marie Philipon, sobre experiência mística da religiosa carmelita Beata Elisabeth de la Trinité:

“Muitas vezes Elisabeth repetia à sua amiga: ‘Parece-me que Ele está aqui’, e fazia o gesto de tê-Lo nos braços e apertá-lo ao coração”. 4

Sobre a presença das Três Pessoas, assim escreve à sua irmã: “O Pai cobrir-te-á com sua sombra, interpondo uma nuvem entre ti e as coisas da terra, para te guardar só para si. Comunicar-se-á seu poder para que O ames com um amor forte como a morte. O Verbo imprimir-se-á na alma, como num cristal, a imagem da própria beleza, a fim de que sejas pura de sua pureza, luminosa de sua luz. O Espírito Santo transformar-te-á em sua lira mística que produzirá no silêncio, sob seu toque divino, um magnífico cântico de amor”.5 [grifos nossos]

Que este conhecimento sobre o tesouro que carregamos em nós, a presença das Três Pessoas da Santíssima Trindade – quando temos a graça santificante – seja para cada um o motivo mais sublime e vigoroso para enfrentarmos o bom combate desta vida, até o dia bendito de podermos experimentar, sem sombras ou véus, as delícias de Deus Uno e Trino habitando em nós toda a eternidade.

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¹ Arráiz, Pe. Pedro Rafael Morazzani (Org.). A vida íntima de Deus Uno e Trino. São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2013, p. 145.

² idem, p. 145

³ Clá Dias, João Scognamiglio. Homilia. São Paulo, 30 maio 2010. Arquivo ITTA-IFAT. In Arráiz, Pe. Pedro Rafael Morazzani (Org.). A vida íntima de Deus Uno e Trino. São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2013, p. 33-34.

4 Michel-Marie Philipon. Doutrina espiritual de Elisabeth da Trindade. São Paulo: Paulu, 1988, p. 85.

5 idem, p. 85.

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“É fácil professar a fé, o complicado é deixar essa fé transformar o modo de agir e pensar”, afirma o arcebispo de Maringá

Maringá – Paraná (Terça-Feira, 11/02/2014, Gaudium Press) “O ato de fé pode não significar nada” é o título do artigo de dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá, no Paraná, em que ele compartilha que ao participar do curso com os bispos no Rio de Janeiro foi tomado por um pensamento que o deixou preocupado. Lá foi meditado o texto do evangelista Marcos, quando narra o endemoninhado dizendo: “Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele, e gritou bem alto: Que tens a ver comigo, Jesus Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes” (Mc 5,6-8).

Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá

Dom Anuar explica que este texto chamou sua atenção pelo fato de que o demônio acredita, ele tem fé, ele reconhece o Filho de Deus, e conjura por Deus. Então o prelado questiona: Porque ele faz isso e continua fazendo o mal, atormentando as pessoas? Porque faz um ato de fé e nada muda em sua vida? Porque nunca muda de caminho, ficando sempre na contramão da história?

“Fiquei pensando e me veio um certo temor. O demônio reconhece Jesus, professa a fé Nele, mas não O segue e continua sempre pela própria estrada. Jamais será diferente porque sabe quem é Jesus: o Filho de Deus. Mas a sua convicção não interfere no seu modo de agir. É fácil professar a fé, o complicado é deixar essa fé transformar o modo de agir e pensar”, avalia o arcebispo.

De acordo com dom Anuar, é por isso que o maligno continuará sempre maligno, porque a fé não tem nada a ver com a vida concreta. Para ele, a diferença está na fé, que faz verdadeiramente alguém ser discípulo de Jesus; caso contrário eu fico parecendo o demônio que acredita, faz um ato de fé, mas continua sendo o rei da maldade e do pecado, fazendo de conta que não acredita.

“Confesso que essa reflexão me causou um certo temor e me fez repensar o meu seguimento, enquanto escolhido e chamado a colaborar na vinha do Senhor. Entendi melhor a expressão de Jesus: ‘O único pecado que não tem perdão é o pecado contra o Espírito Santo’. Esse é o pecado, professar com os lábios e negar com as atitudes, ou seja, não deixar Deus agir em nós, porque é Ele que vem ao nosso encontro”, destaca.

Segundo o prelado, não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou por primeiro. E, portanto, negar a iniciativa de Deus, fechar-se em si mesmo, nos colocando no lugar de Deus, é negar toda e qualquer ação do Espírito Santo em nós, salienta o arcebispo. “Esse é o pecado que não tem perdão”, completa.

Dom Anuar ainda enfatiza que não é que Deus não perdoe, mas somos nós que não acreditamos nesse perdão. Ele recorda as palavras que o Papa Francisco repetiu várias vezes: “Deus não se cansa de perdoar, nós nos cansamos de pedir perdão”. Conforme o prelado, o caminho de seguimento de Jesus é um caminho de perdas e ganhos. “Perco o meu jeitão de ser e aceito o jeitão do Mestre e Senhor da minha vida. Serei discípulo se serei capaz de assumir a disciplina do Mestre. Não basta dizer eu creio. A fé sem obras é morta”, diz.

Por fim, o arcebispo de Maringá ressalta que no caminho do seguimento do Senhor a astúcia, como as serpentes, e a simplicidade, como as pombas, devem ser sempre as atitudes primordiais para não cairmos na tentação do demônio. É como nós rezamos sempre no Pai Nosso: “Não nos deixeis cair na tentação”. Para dom Anuar, a tentação é exatamente a incoerência do nosso falar e do nosso ser.

“Somente quem está em Deus é uma criatura nova, ou seja renovada, disposta ao seguimento de Jesus como verdadeiro discípulo e discípula. Não tenho dúvidas de que o demônio existe e não tenho dúvidas de que ele nunca para de trabalhar, principalmente, fazendo-nos professar a fé e vivendo como se Deus não existisse. Orar sempre, professar sempre, viver sempre na luz da Fé, assim nada será inútil. A vida terá outro sentido”, conclui. (FB)

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Disponível em: <http://www.gaudiumpress.org/content/55731–E-facil-professar-a-fe–o-complicado-e-deixar-essa-fe-transformar-o-modo-de-agir-e-pensar—afirma-o-arcebispo-de-Maringa> Acesso em: 20/02/2014

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Confiança nAquela que é o caminho fácil e virginal para chegar a Jesus

Sede da Sabedoria – Arautos do Evangelho

Doçura, afabilidade, delicadeza… quantos sentimentos nos evocam a contemplação desta Mãe com seu Filho ao colo. Pare um pouco, caro leitor, e deixe-se inebriar por esta paz. Sim, em uma palavra, nos sentimos embalados por uma paz e confiança inefáveis. Mas, por ventura, poderíamos nos perguntar, em meio a tantas agitações, correrias e incertezas que este mundo hodierno nos procura mergulhar: temos nós condições de viver nesta atmosfera de confiança e tranquilidade?

Quem nos dá esta resposta é um dos maiores devotos de Nossa Senhora, o grande mariólogo São Luis Maria Grignion de Montfort. Ensina-nos o Santo que o entregar-se a São Luis Maria Grignion de Montfort, segundo o divino exemplo do próprio Deus, é trilhar um “caminho ameno para ir a Jesus Cristo, porque o Espírito Santo, esposo fiel de Maria, o indicou a eles [os Santos] por uma graça especial”.¹

Com efeito, não sabemos o que nos está reservado de alegrias e tristezas ao longo da vida neste vale de lágrimas, nem dos desígnios mais misteriosos de Deus a nosso respeito. Sabemos, entretanto, que o grande ideal de nossas vidas, que nos traz a verdadeira felicidade e paz de alma é a união com Nosso Senhor Jesus Cristo. E, para atingirmos este ideal, apesar das borrascas e tempestades que nos atinjam, temos “um caminho que Jesus Cristo abriu quando veio a nós, e no qual não há obstáculo que nos impeça de chegar a Ele”.²

Mas, como Nossa Senhora será para nós este caminho fácil?

São Luís indica o quanto “esta boa Mãe e Senhora está sempre tão próxima e presente a seus fiéis servos, para aliviá-los em suas trevas, esclarecê-los em suas dúvidas, encorajá-los em seus receios, sustê-los em seus combates e dificuldades, que, em verdade, este caminho virginal, para chegar a Jesus Cristo é um caminho de rosas e de mel, em vista de outros caminhos”. ³

Aí está caro leitor, neste início de ano que trará não se sabe que boas ou más surpresas, um convite para a confiança plena naquela que é Mãe de Deus e nossa, a Mãe de Misericórdia. Deixe-se embalar e deposite total confiança Nela.

Por Adilson Costa da Costa

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 ¹ São Luís Maria G. de Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 42ª ed. Petrópolis: Vozes, 2012, p. 147, n. 152.
² São Luis Maria G. de Montfort. op.cit., p. 146, n. 152.
³ São Luis Maria G. de Montfort, op.cit., p. 146, n. 152.