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Frase da Semana – Santo Antonio Maria Claret

De que vale o homem ganhar o mundo, se vem a perder a alma? Esta sentença me causou uma profunda impressão… foi para mim uma flecha que me feriu o coração… (1)

Em 24 de outubro a Liturgia comemora a festa de Santo Antônio Maria Claret (1807-1870), Bispo e Confessor.

Santo Antonio Maria Claret

A Frase da Semana traz à reflexão de seus leitores um pensamento deste grande Santo, baseado no Evangelho de São Mateus (16,26) que se tornou um dos pilares de sua vida espiritual. De fato, após uma infância muito piedosa, aos poucos, durante sua adolescência e juventude, Antonio – ignorando o chamado divino – entregou-se de corpo e alma ao trabalho, envolvendo-se nos negócios da família.

Comenta Monsenhor João Clá, Fundador dos Arautos (2):

Ainda jovem, morando em Barcelona, sentiu apelos divinos para algo de mais elevado, embora indefinido, pois não pensava na vocação sacerdotal. Mas, naquela cidade, envolveu-se com questões de tecelagem e se enfronhou nos assuntos práticos desse negócio, começando a esquecer o fervor da sua piedade dos tempos de menino. Passou alguns anos absorto no cuidado de máquinas, teares e coisas semelhantes.

Praticava ainda a religião, mas, nesse período de sua vida, pode-se dizer que Santo Antônio Maria Claret tendia a tibieza. Continuava a frequentar a igreja, assistia à Missa aos domingos, comungava algumas vezes por ano e também recitava o Rosário. Mas, fora do cumprimento estrito dessas práticas de piedade, só tinha pensamentos para o seu trabalho na indústria têxtil.

Foi a partir de um susto – que tomou no mar em companhia de alguns amigos, que Antonio Maria Claret abandonou radicalmente a vida de tibieza que levava. Numa palavra: conversão! Mudou de rumo; tornou-se modelo de santo, digno de ser imitado por todos os católicos, em todos os tempos. Foi um grande pregador, Bispo, Arcebispo de Cuba, confessor da Rainha de Espanha, Fundador de Ordem Religiosa. A fidelidade à conversão foi sua companhia por toda a vida.

O mesmo ocorre conosco, neste tumultuado e materialista século XXI! Muitas vezes, deixamos de lado o sopro da Graça de Deus em nossas almas – o contínuo convite à conversão que Deus nos faz – e vamos tocando a vida, dedicando-nos exclusivamente às coisas materiais e postergando, adiando a mudança de vida que nossa consciência nos acusa ser necessária.

Santo Antonio Maria Claret foi um grande devoto de Nossa Senhora e do Santo Rosário! Peçamos a ele que interceda por nós junto à Mãe de Deus e nos obtenha a verdadeira conversão – hoje!

Salve Maria!


(1) Portal Claretiano do Brasil. Frases de [Santo Antonio Maria] Claret. Disponível em: http://www.claretianos.com.br/claret/frases/

(2) Monsenhor João Clá Dias, EP. Os santos comentados. Seção Especial. Portal Arautos do Evangelho. http://www.arautos.org/especial/41510/Santo-Antonio-Maria-Claret

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O que é a verdadeira gratidão?

Vivemos um momento no qual impera o individualismo, a busca incansável pela satisfação dos ímpetos, estando eles ou não em harmonia com o bem do próximo. A todo momento presenciamos relações que se estabelecem a partir de um juízo corrompido de valor: qual beneficio terei em fazer ou deixar de praticar tal ato?

Percebemos que o “eu” coloca-se no centro da vida e, em muitos casos, é cultuado enquanto única razão para a vida terrena. Neste sentido as virtudes, como por exemplo a gratidão, são meros conceitos abstratos em, quando muito, estão relegadas ao plano da conveniência social.

A partir desta realidade nos perguntamos: em que consiste a verdadeira gratidão?

De acordo com Mons. João Clá Dias, EP,  na obra “O inédito sobre os Evangelhos” (1), raras vezes interrompemos as ocupações cotidianas para considerar quantos bens nos são concedidos pela Divina Providência ao longo da nossa vida, ainda que não os tenhamos pedido ou sequer desejado.

Ao buscar a fonte de tais benefícios, devemos lembrar que não existiríamos sem um desígnio de Deus. A partir do nada, foi Ele constituindo a diversidade de seres, ao longo dos seis dias da criação, como está descrito no Gênesis, até modelar Adão do barro e Eva de sua costela, e neles infundir a vida. E cada nascimento, que ocorre a todo instante no mundo inteiro, é um fato extraordinário porque à lei física se acrescenta uma lei espiritual: Deus infunde uma alma inteligente, criada pelo simples desejo de sua vontade, num corpo concebido pelo concurso do pai e da mãe!

Imagem de Nossa Senhora de Fátima – Arautos do Evangelho

E tudo o mais – a saúde, o alimento, o repouso, o conforto – vem d’Ele, direta ou indiretamente. Além disso, o Criador nos promete para depois de transpor os umbrais da morte um grande milagre: tendo nossos corpos sofrido a decomposição, voltando ao barro do qual fomos feitos, retomaremos um corpo glorioso que se unirá de novo à nosso alma, já na visão beatífica, e gozaremos da felicidade de Deus por toda a eternidade.

Quanta bondade do Pai Eterno! Entretanto… como é a nossa resposta? Somos gratos por tudo quanto recebemos? Quão rara é a virtude da gratidão! Muitas vezes ela se pratica apenas por educação e meras palavras. Todavia, para ser autentica, é preciso que ela transborde do coração com sinceridade.

Mons. João Clá Dias, EP prossegue escrevendo que, além de dar-nos a vida humana, Deus nos concede o inestimável tesouro da participação na sua vida divina pelo Batismo e, mais ainda, nos dá constantemente a possibilidade de recuperar esse estado quando perdido pelo pecado, bastando para isso nosso arrependimento e a confissão sacramental.

Sobretudo, dá-Se a Si mesmo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade como alimento espiritual para nos transformarmos n’Ele, santificando-nos de maneira a nos garantir uma ressureição gloriosa e a eternidade feliz. Ele nos deixou sua Mãe como Medianeira, para cuidar do gênero humano com todo carinho e desvelo. Os benefícios que Deus nos outorga são, assim, incomensuráveis! Qual não deve ser, pois, nossa gratidão em relação a Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima?

Abraçar com entusiasmo e abnegação a santidade e batalhar com sempre crescente dedicação pela expansão da glória de Deus e da Virgem Puríssima na Terra, eis o melhor meio de corresponder ao infinito amor do Sagrado Coração de Jesus, que se derrama sobre nós às torrentes, do nascer do sol até o seu ocaso.

Eis em que consiste a verdadeira gratidão: servir com dedicação, amor e abnegação a Jesus Cristo e Maria Santíssima!

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(1) Mons. João S. Clá Dias, EP. O inédito sobre os Evangelhos. v. VI, Coedição internacional de Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, p. 403-413.

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Quem é este Rei?

Caro leitor, atente para as palavras do Cântico inspirado e por fim responda “quem é este Rei”? :

Vós sois grande, Senhor, para sempre,

E vosso poder se estende nos séculos! (Tb 13, 2a)

Considera ainda os versículos deste Salmo (23, 10):

Dizei-nos: “Quem é este Rei da glória?”

“O Rei da glória é o Senhor onipotente,

o Rei da glória é o Senhor Deus do universo!”.

Sim, este Rei da glória é o Senhor soberano, é o Deus feito homem.

No entanto, contemple esta imagem e medite por uns instantes, com São Mateus, a que foi “reduzido” em sua humanidade este Rei e Senhor?

“Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça. E começavam a saudá-lo: “Salve, rei dos judeus!”. Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiram nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar” (Mt 15, 17-20)

Esta rejeição contra Aquele que é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, tem um nome: pecado. E a única reparação possível e reconhecedora de sua realeza é, unidos aos méritos infinitos de sua Paixão e às lágrimas preciosas de sua Mãe Santíssima, abraçarmos a via da santidade.

Peçamos, assim, com as palavras de Mons. João Clá Dias, esta graça: “Aceitai, Senhor, o meu pobre coração e assumi-o como Rei e dono absoluto. Estou seguro de que se assim o fizerdes, jamais Vos ofenderei”. (1)

Nossa Senhora Rainha dos corações, rogai por nós!

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(1) Mons. João Clá Dias. I Estação: Jesus é condenado à morte. In Via Sacra. 3ª ed. São Paulo: Takano Editora Gráfica Ltda, 2003, p. 8.

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Frase da Semana – Imaculado Coração de Maria

Amemos  a Jesus com o Coração de Maria. E a Maria com o Coração de Jesus. E não tenhamos senão um só coração e um só amor com Jesus e Maria.”

 São João Eudes (1)

A Frase da Semana de hoje relembra a grande Festa do Imaculado Coração de Maria, celebrada no sábado seguinte à festa do Sagrado Coração de Jesus.

Esta proximidade das duas festas lembra a grande proximidade, ou, melhor, a interação existente entre as duas devoções. São João Eudes, “apóstolo incansável da devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria” (2), nascido no primeiro ano do século XVII (1601), autor da frase desta semana – que foi extraída de uma de suas mais belas orações, tinha tanto amor pelas duas devoções que,  a “chave de sua espiritualidade que foi a devoção ao Coração de Cristo, unido indissoluvelmente ao Coração de Maria” (3). Praticamente, considerava-a uma única devoção, indissociável. Foi esse Santo o grande propagador da devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Porém, é na Mensagem de Fátima, quando Nossa Senhora faz aos pequenos pastores o seu apelo maternal, que a Devoção ao Imaculado Coração de Maria fica mais claramente explicitada: “Para salvar as almas ‘dos pobres pecadores, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração’ – dizia a Santíssima Virgem na aparição de 13 de julho de 1917, ao tratar do cerne de sua mensagem. Porém, não foi esta a única ocasião em que Nossa Senhora se referiu à importância dessa devoção. Mencionou-a diversas outras vezes nas suas mensagens, e tal insistência não pode deixar de ser seriamente considerada.” (4)

A confiança, portanto, no Imaculado Coração de Maria, pela qual chegamos mais facilmente ao conhecimento de Jesus Cristo, deve ser o farol a guiar a nossa vida espiritual, não apenas nesta grande Festa, mas em todos os dias de nossa existência. Imaculado Coração de Maria, que obtendes graças para os pecadores, rogai por nós! (5)

 (1) Congregação de Jesus e Maria (Eudistas). Orar com João Eudes. Frase extraída da oração “Um só coração”. Disponível em: http://www.eudistes.org/BRASIL/site%20eudista/Orar_com_Joao_Eudes.htm

(2) Papa Bento XVI. Audiência Geral de 19 de Agosto de 2009. Disponível em: http://www.arautos.org/artigo/7781/Sao-Joao-Eudes–empenho-na-formacao-dos-sacerdotes.html

(3) Congregação de Jesus e Maria (Eudistas). Biografia completa de São João Eudes.  Disponível em: http://www.eudistes.org/Biografia_de_Sao_Joao_EUDES.htm

(4) Arautos do Evangelho. Imaculado Coração de Maria e a devoção dos primeiros sábados.  Disponível em: http://www.arautos.org/especial/47401/O-Coracao-Sapiencial-e-Imaculado-de-Maria.html

(5) Uma das invocações da Ladainha do Imaculado Coração de Maria.

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Frase da Semana – Sagrado Coração de Jesus

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-Se e consumir-Se, para manifestar-lhes seu amor. E como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, desprezos, irreverências, sacrilégios, friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor.”  (1)

 

 Nosso Senhor Jesus Cristo a

Santa Margarida-Maria Alacoque

na Oitava de Corpus Christi, em Junho de 1675.

Junho: Mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus!

A primeira Frase da Semana deste mês é dedicada a esta magnífica devoção, tão querida pelos católicos do mundo inteiro e que chegou até nós pela extrema Bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao revelá-la, no século XVII a uma humilde religiosa, Santa Margarida-Maria Alacoque, da Ordem da Visitação, filha espiritual de São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, especialmente escolhida para acolher as revelações do Amor de Nosso Senhor Jesus Cristo para com a humanidade.

“Ao longo da história da Igreja, Nosso Senhor tem revelado de maneiras diversas os tesouros de seu Coração Sagrado aos homens. A devoção a Ele tornou-se uma luz de misericórdia e de esperança continuamente derramada sobre a face da terra.” (2)

Nas comovedoras e calorosas conversas que teve com essa grande Santa, “Nosso Senhor faz ouvir a queixa secreta de seu Coração: Ele ama tanto os homens, e é por estes tão pouco amado! E pede uma reparação de amor que se traduza em atos externos e fervorosos, como a comunhão frequente, a recepção da Eucaristia nas primeiras sexta-feiras de cada mês e a Hora Santa.” (3)

Para que possamos bem corresponder – durante este Mês e por toda a nossa vida, a esse Amor ardente do Sagrado Coração de Jesus por nós, recorramos ao Imaculado Coração de Maria, “cuja onipotente intercessão devemos implorar a fim de alcançarmos as misericórdias do Sagrado Coração de Jesus.” (4)

Coração de Jesus, Fonte de toda a consolação, Tende Piedade de Nós!

Saiba mais sobre as revelações do Sagrado Coração de Jesus, visitando o site dos Arautos do Evangelho: www.arautos.org.br


(1) Monsenhor João Clá Dias. Sagrado Coração de Jesus, Tesouro de bondade e de amor. São Paulo: ACNSF, 2002. p. 21

(2) Idem,  p. 10

(3) Idem p. 21

(4) Idem, p. 28.